São Paulo começa Brasileirão sem Arboleda, afastado para cumprir protocolo da covid-19: foi pego em balada clandestina

São Paulo começa Brasileirão sem Arboleda, afastado para cumprir protocolo da covid-19: foi pego em balada clandestina

Jogador de futebol só apronta como apronta porque os clubes não aprenderam a lidar com o talento que oferecem semanalmente ao time e preferem manchar suas instituições a colocar o dedo na ferida

Robson Morelli

29 de maio de 2021 | 13h00

Arboleda é reincidente em confusão no São Paulo. Mas também é titular do time, tem contrato vigente e não deve haver cláusulas no documento que esclareçam o que fazer quando uma das partes aprontar com a outra, entenda-se não ser profissional ou mesmo desfalcar o time por bobagem. O zagueiro não vai estar com seus colegas na estreia do time no Brasileirão, em jogo duro diante do Fluminense. Aprontou. Foi pego em balada clandestina na cidade. O São Paulo apenas cumpriu o protocolo que os órgãos de saúde mandam: deixar o cidadão em quarentena e fazer testes para saber se ele está contaminado, e assim não passar a doença para outros do grupo e do clube.

Foto: Rubens Chiri/SPFC

Arboleda foi irresponsável, como não se deve ser um profissional, seja um jogador e futebol ou um cara de qualquer outra profissão. Faz errado porque sabe que nada vai acontecer com ele. Multas em dinheiro não são nada para esses atletas, que ganham muito e não têm apego aos valores como tem um assalariado qualquer. Nada falta a eles, a não ser juízo. Gabriel, do Flamengo, fez o mesmo. Foi pego em um cassino em São Paulo, proibido por lei, pagou multa e seu processo foi arquivado. Rogério Ceni o escala. O clube continua pagando seu salário. E vida que segue.

O futebol só vai ser levado mais a sério, inclusive pelas empresas que querem investir nele, quando os clubes brasileiros conseguirem ser também mais comprometidos. Arboleda deveria ser afastado, ter o contrato rompido, ganhar multa diferente, por exemplo, treinando em Cotia com as bases, depois da quarentena, não receber o mês… sei lá. Nas grandes empresas, há advertências e demissões. Há mal-estar. Há medo de perder o emprego num país de quase 15 milhões de desempregados.

No futebol não há esse medo, mas deveria haver se os clubes fossem menos coniventes e deixassem de passar a  mão na cabeça desses jogadores. Isso só deseduca. Cria privilégios. Abre precedentes. Confunde os mais jovens. Cria grupos dentro do elenco. Mas nem na seleção isso acontece, o que dirá nos clubes.

O jogador de futebol precisa ter melhor formação, aprender os valores da vida, o certo e o errado, respeitar as regras, saber viver em comunidade. Pagar pelos erros. Estamos há mais de um ano em restrições e o cara aparece numa festa clandestina, sem máscara, sem higiene de saúde, se expondo e expondo os outros. Se ele não fosse pego pela batida policial, chegaria na concentração do São Paulo como se nada tivesse acontecido, apenas com mais sono do que os outros.

Enquanto os clubes e seus dirigentes não mudarem isso e os jogadores não se ligarem mais nas coisas da vida comum, dos seus vizinhos e amigos, aparentes e conhecidos, o futebol vai continuar sendo marginalizado. Antigamente, um pai não queria nem ouvir falar que sua filha estava enamorada de um jogador de futebol. O atleta não era para sua filha. Tinha fama de aventureiro e jogar futebol talvez não fosse encarado como um trabalho. Já se desconfiava da pouca formação escolar do sujeito. Não prestava para levar a filha ao altar. Claro, havia exceções. Isso mudou com o dinheiro que esses caras passaram a ganhar no futebol, com as conquistas das Copas do Mundo, com Pelé e Garrincha e tantos outros que nos deram muitas alegrias.

Muitos da atual safra são tão desprovidos de conhecimento, responsabilidade e interesse no mundo real como os antigos. Só que agora eles possuem carros do ano, roupas bacanas, casas e mansões, andam de helicóptero e posam como reis da boca para filhas e pais mais ambiciosos.

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