São Paulo deveria apostar em Luxemburgo agora

O time precisa de um grande choque para recuperar seus jogadores, já que todo dirigente só pensa na vitória do domingo e da quarta. Treinador diz que foi demitido do Flamengo por causa de sua personalidade

Robson Morelli

26 de maio de 2015 | 10h57

O São Paulo tem a chance de contratar Vanderlei Luxemburgo, que acaba de se desligar do Flamengo, deixando o time na zona de rebaixamento do Brasileirão, em 17º lugar. Desde que seu nome foi sondado no Morumbi, após a saída de Muricy Ramalho, Luxemburgo não se aquetou no cargo. Viu a chance de realizar um sonho, o de comandar o São Paulo e toda a sua estrutura no futebol. Viu a chance de dirigir bons jogadores do Morumbi, como Pato e Ganso, entre outros, que não estão rendendo nada no momento. Ele é bom nisso.

Luxemburgo tanto fez que acabou demitido do Flamengo. Não era para isso. A 17ª posição em três rodadas não justifica a decisão da diretoria do time da Gávea. Nem todos os dirigentes participaram da decisão. O Flamengo repensou sua gestão financeira, com ganhos e com parte da bagunça novamente nos trilhos, mas ainda não sabe como fazer a equipe jogar e ganhar. Certamente trocando treinador não é. Mas essa é uma constante no futebol brasileiro. Time que não vai bem tem seu treinador demitido.

Ocorre que o São Paulo ainda tem tempo para fechar com Luxemburgo. Juan Carlos Osorio, uma invenção colombiana, que até pode ser boa pessoa, educado e trabalhador, não tem a cara do São Paulo nem deverá ter pulso para comandar as feras. Jose Peseiro, de Portugal, tem um currículo menor, mais modesto, embora esteja na Europa e lá parece que tudo é melhor do que aqui. O fato é que Luxemburgo casa com a situação do São Paulo de momento, que precisa de alguém de mais personalidade para tocar o futebol, reconquistar a confiança de jogadores e fazê-los atuar.

Penso que treinadores de menor expressão serão engolidos pelos jogadores, veteranos que são. O choque no São Paulo precisa ser grande, de impacto, de poderes. Nem todos os atletas devem concordar com isso, com Luxemburgo, mas essa é uma decisão do presidente Aidar. Ele precisa comprar uma briga para mudar tudo. E briga é com ele mesmo. Caso contrário, tudo ficará como antes. Luxemburgo, Ceni, Ganso, Pato e alguns outros poderiam fazer uma revolução no time. Juntos.

Mas Luxa é projeto para uma temporada, e depois ser reavaliado. Prós e contras e novas conversas. Enquanto os clubes não tiverem planejamento e metas claras, essa dança das cadeiras no comando continuará. O cara que não serve para um, será cotado para salvar o outro. O futebol sem planos não vai mais. E nossos dirigentes têm poucos planos para seus times. E quase nenhum tempo.

Em sua entrevista, Luxemburgo detona os gestores do Flamengo. “Eles são bons de negócios, saem no New York Times, mas não entendem nada de futebol. E todas as decisões do futebol saem da cabeça deles. Eu e o gerente de futebol não somos ouvidos para nada”, disse. Luxemburgo admitiu ter recebido uma ligação do presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar. Disse também que o presidente do Flamengo falou para ele e para o Aidar que o técnico era fundamental no projeto do clube. “Disse isso há 20 dias e agora não sou mais fundamental. Estou muito chateado com isso.”

O treinador não tem dúvidas de que foi demitido por causa de sua personalidade. “Eles querem alguém que digam amém a tudo.”

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