São Paulo esquenta união dos clubes contra a CBF

Dirigente do Morumbi vê brecha para modificar a estrutura e o comando do futebol

Robson Morelli

15 de dezembro de 2015 | 14h34

O São Paulo está disposto a liderar um movimento contra os desmandos da CBF e do presidente Marco Polo del Nero, que pediu licença de 150 dias do cargo para cuidar de sua defesa diante das acusações de corrupção da Fifa e da CPI do Futebol no Brasil. Para isso, pretende convencer os outros três clubes do estado, Corinthians, Santos e Palmeiras, para caminharem com ele. O presidente do time do Morumbi, Leco, diz a amigos que a manifestação na sede da Federação Paulista de Futebol há duas semanas não passou de uma encenação para não romper agora com a entidade. Rogério Carneiro Bastos, da FPF, ainda anda de mãos dada com Del Nero e não vai mudar sua posição neste momento. Ocorre que Leco sabe que a decisão de mudar o comando do futebol brasileiro passa exclusivamente pelos clubes, e o São Paulo estaria disposto a costurar um movimento nesse sentido para 2016.

O São Paulo recebeu executivos da Rede Globo semana passada para iniciar negociações dos Campeonatos Brasileiros de 2019 e 2020, já que até 2018 a emissora tem tudo assinado com os times do País. Nada foi decidido de bate-pronto. O São Paulo precisa do dinheiro dos direitos de transmissão dos jogos, como qualquer clube do Brasil, mas sabe que pode usar sua imagem para ganhar forças nos bastidores, sobretudo agora, em que a CBF está enfraquecida. Sabe também que sozinho não vai conseguir nada. Daí sua intenção de levar com ele os ‘coirmãos’ paulistas. A intenção é fazer com que esse movimento cresça nos clubes do Brasil. Nessas conversas de corredores, os presidentes de clubes armam o bote para tomar conta do futebol.

Não é fácil ‘peitar’ CBF e Del Nero. O sistema sempre amarrou os clubes e as próprias federações. Como o São Paulo, desde os tempos de Juvenal Juvêncio, não se amarra com os mandatários da CBF, Leco vê brechas para começar essa discussão. Não se sabe se dará certo, mas só o fato de enxergar um caminho diferente no futebol de 2016 pode resultar em algo diferente. O que se comenta é a falta de credibilidade de Del Nero e sua posição contra a parede nas investigações de corrupção na Fifa e no futebol brasileiro. A CBF está ‘sem comando’ forte e agora entra numa briga de poderes e de liminares, que promete ir longe e adiar possíveis eleições na Casa para o cargo de José Maria Marin, preso nos Estados Unidos.

Leco ainda não tem uma linha de conduta formada para encampar mais essa discussão no clube, uma vez que o presidente do São Paulo também se vê enrolado com a escolha do novo treinador para a equipe. E também pensando em reforços e na permanência de quem ele confia, como o meia Ganso. O presidente disse que o jogador não deixa o Morumbi.

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