São Paulo prefere se livrar do problema ao resolvê-lo no vestiário

Diego Souza e Nenê são colocados no mercado. Até ontem ambos eram o camisa 9 e 10 do time

Robson Morelli

07 de março de 2019 | 15h25

O São Paulo tem dois repasses encaminhados neste mês, antes de começar o Campeonato Brasileiro. Diego Souza tem tudo acertado com o Botafogo do Rio. E Nenê está tratando de sua transferência para o Fluminense, onde os jogadores recentemente fizeram greve de 24 horas por falta de pagamento de salários. Diego Souza está mais adiantado. Já deve ter limpado seu armário. Nenê espera sinal verde para fazer o mesmo. Até bem pouco tempo atrás, os camisas 9 e 10 eram apontados como a solução para o fim de um jejum que já dura anos, desde 2012, quando ganhou a Sul-Americana.

Diego custou R$ 10 milhões e ganha perto dos R$ 600 mil por mês. Vai de graça, apenas em troca do pagamento do salário. Nenê abriu mão de R$ 1,5 milhão de dívida do Vasco para aceitar a oferta do São Paulo. Ele também concordou em ganhar menos no Morumbi na época. Passadas duas temporadas, não serve mais. Diego Souza também não serve.

Alguma coisa está errada nessa equação. O São Paulo, assim como a maioria dos clubes e de seus gestores, prefere se livrar do problema a administrá-lo. É exatamente isso que o clube faz nesse momento, mesmo que a iniciativa faça com que a agremiação perca dinheiro. Oras, o que são R$ 10 milhões? O futebol que passa o pires toda temporada e não consegue pagar suas contas em dia, não pode permitir que isso ocorra. Clube nenhum pode perder R$ 10 milhões.

A decisão da diretoria de colocar os “jogadores-problemas” para fora passa diretamente pela recusa da comissão técnica de salvá-los, de fazer com que eles voltem a jogar futebol, de reintegrá-los ao elenco e de acalmar o vestiário. Portanto, a decisão fácil também é de responsabilidade do treinador, seja ele quem for. Assim é fácil.

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