São Paulo se afunda em seus próprios problemas

É preciso coragem para afastar alguns jogadores que não renderão mais nada ao time. VEJA OS GOLS

Robson Morelli

21 Agosto 2015 | 10h43

A derrota para o Ceará na Copa do Brasil foi a gota d’água para um time que se afoga em suas próprias águas. O poço no qual o São Paulo bateu no fundo nesta quinta está dentro do Morumbi, de modo que é preciso respirar fundo e tentar retomar o caminho de volta. Para isso, alguém, talvez o presidente, talvez o treinador, talvez o diretor de futebol, talvez todos juntos, é preciso arregaçar as mangas e fazer o que precisa ser feito, um ‘faxinão’ daqueles de não deixar pedra sobre pedra, daqueles de dói na própria carne, mas que é inevitável.

 

O São Paulo não funciona mais na estrutura e com a peças que tem. Todas as chances já foram dadas a todos os jogadores do elenco, por exemplo. É claro que me refiro aos mais antigos de casa. Nem mesmo o treinador Osorio está livre das críticas, porque bem ou mal, ele também mexe muito no time, faz algumas invenções e começa a sentir que não está sendo muito bem compreendido. Duvido que esteja satisfeito. Sim, precisa de tempo, como todos os treinadores do mundo inteiro. Ocorre que as cobranças no futebol brasileiro parecem ser cada vez mais imediatas. No Morumbi, há muita gente insatisfeita.

O presidente Carlos Miguel Aidar se vê numa posição em que vai ter de se levantar da cadeira e trabalhar no CT. Fazer ele mesmo as reformas que gostaria de tocar no fim da temporada, porque entende, é há sinais claros para isso, que esse São Paulo não chega inteiro ao fim do ano. Sua primeira providência será dar garantias para Osorio. Se o treinador se sentir ameaçado, vai patinar, perder a confiança, trabalhar como todos os outros, pressionados e na defensiva. Mantendo a comissão técnica, terá de limpar elenco.

A lista é grande.

Pato – tem sido o jogador mais efetivo do time, mas está com a cabeça em seu novo contrato. Não quer voltar para o Corinthians e sabe que o São Paulo não tem bala para segurá-lo e pagar sozinho seu salário de R$ 800 mil. Setembro se aproxima e ele só tem mais alguns meses para encontrar um novo clube. Aposta tudo nesta janela, que acaba no fim do mês, mas até agora não tem nada nas mãos.

Ganso – O futebol brasileiro precisa de Ganso, mas ele não se acertou no São Paulo. Não deu liga e a dúvida que existe é se ele dará em outro clube. O fato é que precisa mudar de ares. A torcida já não mais o tolera, em com boa dose de razão dada sua apatia em campo na maioria das partidas. A diretoria também já não acredita mais em Ganso. Até os companheiros se cansaram de esperar dele uma boa apresentação, que não vem. Seu futebol ‘acabou’ no Morumbi. Cobrado pela torcida, deve pedir para sair. E Aidar tem de liberá-lo.

Luis Fabiano – Se arrasta até o fim do seu último contrato no São Paulo. É outro que não tem mais ânimo para vestir a camisa do time. Espera a ‘morte’ chegar infeliz. Ajuda quando pôde, mas com a cabeça cheia de dúvidas, não funciona. Seu história é esse, até mesmo na seleção. Perde tempo no São Paulo e o São Paulo perde tempo com ele.

Wesley – Tanto fez para se transferir do Palmeiras para o São Paulo, mas até agora não representa nada para o time. Joga mal na maioria das vezes. Parece que ainda está chegando e se enturmando, quando se esperava por um volante pronto. Fez muito barulho por nada. É hoje um jogador sem peso para o time.

Esses são alguns jogadores que atrapalham o São Paulo. Todos têm qualidades, mas todos também trazem presos às costas um caminhão de problemas, desânimo e confusão. Não estão com a cabeça no time, como Michel Bastos. Era para ele ser o condutor do time, mas não é. Erra muito e joga com uma indolência sem tamanho. O São Paulo perdeu muitos jogadores e não se preparou para isso. É um sem alma e cada vez mais pressionado. Perder a primeira partida para o Ceará na decisão da Copa do Brasil dói, mas não encerra a participação do time na competição. Há o jogo da volta, fora. Fica, no entanto, a amargura de apanhar do lanterna da Série B do Brasileiro.