São Paulo vai resolvendo problemas no campo e na gestão

Falta agora ganhar dinheiro e baixa suas dívidas, em 2015 aproximando-se dos R$ 400 milhões

Robson Morelli

29 de abril de 2016 | 13h15

A atuação do São Paulo contra o Toluca no Morumbi prova que o time tem rumo e precisa de pequenos acertos para voltar a ‘ser grande’ e regular, como sonha o torcedor. Ou sonhava até os 4 a 0 desta quinta-feira pela Libertadores. O que não pode é ganhar do River e perder para o Audax, apresentar futebol de campeão e depois deixar escapar vitórias seguras com mau futebol. Era esta a bronca do são-paulino. Até mesmo os jogadores que estavam sem moral na arquibancada deram o ar da graça, e nesta lista poderia incluir Michel Bastos e Centurión. O São Paulo fez a melhor apresentação do ano.

Michel Bastos mais ajuda do que atrapalha o São Paulo, é bom jogador e sabe atuar. Mas estava pressionado e infeliz com as cobranças, em avaliação dele próprio, cobranças até injustas em determinados momentos. O problema de Michel foi se misturar em confusões de vestiário. Parece que tudo isso foi resolvido e quem estava de malas prontas agora pode ficar e pensar com calma no futuro, se será o Brasileiro no segundo semestre ou algum time de fora.

Centurión foi ‘salvo’ por Kelvin. Sim, o atacante de ‘pernas agitadas’ ou alegres, como disse Felipão sobre Bernard na Copa de 2014,  deu confiança ao argentino. Centurión era tímido e jogava com medo de errar, até porque a pressão era imensa e somente Bauza confiava em seu trabalho. Quando o gringo viu Kelvin atuar, sem medo de errar, errando e tentando minutos depois a mesma jogada, ficou mais confiante e passou a fazer o mesmo, dando de ombros para o que pudesse dar errado em campo. Foi dessa forma que atuou contra o Toluca, sem medo. Mostrou-se como ele é e até dancinha teve em uma das comemorações de gol. É outro Centurión? Sim, mas da mesma forma do time, precisa de regularidade.

Ganso fez o que sabe e o que nenhum treinador que passou pelo clube recentemente conseguiu arrancar dele: futebol de craque, futebol inteligente, futebol para ele e para os companheiros. Bauza nunca desistiu do jogador, e agora merece os aplausos. Se mantiver o futebol e a disposição da quinta, o São Paulo se credencia para ganhar a Libertadores, com Ganso no comando.

GESTÃO
Fora de campo, o São Paulo excluiu Aidar e Ataíde do quadro de conselheiros, colocando um ponto final na história de dois dirigentes que não deixarão saudades no Morumbi, apesar de histórias no clube. Precisa agora resolver o problema da falta de dinheiro. A situação financeira é o gargalho, com dívidas que estão próximas dos R$ 400 milhões. Novos parceiros, redução na folha de pagamento, maiores rendas e ganhos nos direitos de TV são caminhos a longo tempo. Na quinta, a renda foi de R$ 2,6 milhões, perto de 1/3 da folha de pagamento. Ajuda e muito. Mas é preciso mais. Vender jogador sempre está na pauta. E aí Bauza terá de aceitar. Rodrigo Caio é sempre opção de fazer dinheiro. Lucão também.

A janela do meio do ano será fundamental para isso. O desafio do presidente Leco é arrecadar dinheiro sem enfraquecer o time.

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