Se não entregou, facilitou

Se não entregou, facilitou

Robson Morelli

28 de novembro de 2010 | 21h38

A fisionomia de Dinei ao ver a bola entrar num chute seu aos quatro minutos de jogo denunciava um script pouco ensaiado pelos jogadores do Palmeiras às vésperas da partida. Não era para ele fazer aquele gol contra o Fluminense para beneficiar o Corinthians, que estava no Pacaembu tentando passar pelo Vasco. O fato é que a bola entrou, e revoltou os palmeirenses.
Dinei, coitado, lutou para marcar seus golzinhos desde que chegou ao Palestra Itália. Corre ainda pelo prato de comida. Mas foi marcar logo numa partida que ‘não era para fazer nada’, como pediu a torcida na Academia. Que sina!
Ocorre que quem via o jogo na Arena Barueri, ou pela tevê em casa, não tinha dúvidas de que o Palmeiras não faria mais gols tampouco ofereceria alguma resistência ao adversário, como manda sua tradição e camisa. Os jogadores de Felipão, que ficou sentado no banco a maior parte do duelo, não queriam nada com nada. Era certo como dois e dois são quatro que aquele gol fora do enredo foi fatalidade.[/IP8,0,0]
O Palmeiras se distribuiu em campo para a saída e assim ficou postado quase que os 90 minutos. Todos guardaram posição, ninguém ganhou terreno para vencer o jogo. O sol forte do domingo em Barueri pode ter feito o palmeirense segurar o ritmo, puxar o freio no último dente e deixar o tempo passar, pensando já nas férias de fim de ano.
A verdade é que não há como saber se o Palmeiras entregou ou não o jogo de ontem para o Flu. Mas dá para afirmar, sem medo de errar, que o time não correu, não se esforçou, não brigou pela bola nem por qualquer dividida, não marcou, deixou um buraco no meio de campo e nas laterais, enquanto seu treinador cobrava na área técnica um pouco mais de vibração e raça.
De duas uma: ou Felipão também ensaiou tudo aquilo ou seus jogadores se rebelaram contra suas ordens de brio, garra e devoção que qualquer homem deve ter para vestir a camisa do Palmeiras. Esse foi o seu discurso ao pisar no gramado. O fato é que o Flu, depois de assimilar o susto do gol sem querer de Dinei, tomou conta da partida, tocou a bola como bem quis e foi fazendo os gols necessários para se manter na ponta da tabela e agora ficar por um jogo do título nacional. Carlinhos empatou aos 18 minutos ainda do primeiro tempo. E quem viu algo diferente pode até argumentar que o Flu sofreu para virar o marcador. É verdade. O segundo gol só foi marcado aos 13 do segundo tempo, por Tartá. Mas por pura falta de pontaria dos jogadores do Tricolor carioca.
Fred, por exemplo, desperdiçou pelo menos duas chances claras no início da etapa final. Teve as melhores oportunidades na frente de Deola. O goleiro do Palmeiras, diga-se, fez boas defesas, embora tenha rebatido algumas bolas para dentro da área. Incomum. E mesmo perdendo, o Palmeiras manteve o ritmo e os toques de pé em pé, sempre do meio para trás, atendendo aos pedidos da torcida.

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