Se você fosse Tite, que atacante levaria para a Copa? Tem Gabigol, Vini Jr., Antony, Pedro, Richarlison, Jesus, Hulk…

Fifa deu uma mãozinha para o treinador da seleção brasileira, aumentando a lista de 23 para 26 jogadores

Robson Morelli

26 de julho de 2022 | 10h01

Tite pegou algumas semanas de férias. Deveria ser para descansar. Não foi. Ele tem uma das mais difíceis missões de um treinador de seleção brasileira: escolher seus jogadores para a Copa do Mundo. Chamar atacantes sempre provoca discussões entre os torcedores. Foi assim, por exemplo, em algumas das últimas edições. Na conquista do penta, 20 anos atrás e a última vitória da seleção, Felipão teve de enfrentar a pressão por Romário, que não foi convocado. Tite tem o mesmo dilema há meses da disputa no Catar, marcada para novembro e dezembro.

A Fifa deu uma mãozinha para o treinador brasileiro, aumentando de 23 para 26 os jogadores relacionados para a disputa. Tite já disse que vai apostar em atacantes para preencher essas novas vagas. Ocorre que a lista é farta, de fazer inveja para muitas outras seleções que estarão no Mundial, mas sem qualquer garantia de que isso possa dar ao Brasil a sexta estrela. Para ajudar Tite, Neymar poderia ser pensado como meia, o que abriria oportunidade para outros atacantes.

Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

A lista de Tite tem nomes consagrados na Europa e alguns mais no futebol brasileiro, como Pedro e Gabigol, ambos do Flamengo. Conhecendo Tite, ele deve ter passado as férias com a lista na mão. Jamais vai admitir isso, mas sua preocupação com a Copa é muito grande por uma série de motivos que todos conhecem: o Brasil é sempre favorito e isso pesa nas costas dos técnico e Tite está em sua segunda tentativa, portanto, tem a responsabilidade de ir melhor do que foi na primeira, quando caiu nas quartas diante da Bélgica.

A pergunta que martela em sua cabeça e está na boca do torcedor é simples: quem levar para o ataque? A relação inclui nomes como Vinícius Júnior, Raphinha, Richarlison, Gabriel Jesus, Antony, Matheus Cunha, Rodrygo, Martinelli e até Hulk, além de Gabigol e Pedro. É muito jogador bom para pouca vaga. E cada brasileiro tem sua opinião. Eu, por exemplo, gosto muito de Pedro, do Flamengo, e penso que ele poderia ser útil para um tipo de jogo do Brasil, com bolas jogadas na área e fazendo o pivô para quem chega de trás, como Neymar. Talvez Matheus Cunha tenha essa condição também, numa outra rotação por atuar na Europa.

Raphinha e Antony furam bloqueios. São importantíssimos atuando pelo lado de campo, com potencial de conclusão. Também jogariam no meu time fácil. São rápidos e não têm medo de nada. Pelo contrário. São desafiados pelos marcadores implacáveis. Vão para dentro. Colocaria ainda nesse grupo Vini Jr, do Real Madrid. Teve ótima temporada ao lado de Benzema. Na esquerda, lugar que já pertenceu a Neymar, apronta o maior salseiro. É driblador e gosto de atacante driblador. Pelo que jogou para ganhar a Liga dos Campeões, pode ser um dos mais certos na lista. Mas nenhum deles está totalmente garantido.

Atacantes de confiança mesmo Tite tem em Gabriel Jesus e Gabigol. São seus homens de frente nesse ciclo de Copa. Ocorre que eles nunca foram unanimidades no Brasil. Jesus passou por uma secura de gols incrível, mas sempre foi defendido pelo treinador. Gabigol carrega nos ombros o sucesso de três temporadas e sua irreverência, mas sofre por nunca ter estourado na seleção. Também jogariam fáceis na minha seleção.

Como vocês podem perceber, escalei todo mundo. Ninguém vai marcar no meu time. Tite, claro, não pensa assim. Ele é o treinador. Há ainda três nomes que correm por fora, mas que já estiveram lá. Refiro-me a Martinelli, Rodrygo e Hulk. Os dois primeiros têm menos chances de convocação. Hulk vive, talvez, o mesmo apelo que Romário teve em 2002. Tite ainda fará mais alguns amistosos em setembro para só depois apresentar sua relação. Posso dizer de antemão que ela vai provocar muita discussão. Como sempre provoca.

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