Seleção brasileira dá o primeiro passo para a Copa da Rússia, um passo para trás

Time de Dunga perde de 2 a 0 para o Chile, em Santiago, fica devendo futebol e lamenta primeira derrota em sua estreia na história das Eliminatórias. Próximo passo, em casa, será contra a Venezuela, em Fortaleza

Robson Morelli

08 de outubro de 2015 | 23h14

O Brasil começa as Eliminatórias da mesma forma que terminou a Copa do Mundo e a Copa América: devendo futebol e deixando uma pulga do tamanho de um elefante atrás da orelha do torcedor. A derrota para o Chile, campeão das Américas, foi a primeira desde que o time brasileiro começou a disputar o torneio classificatório. O Brasil nunca havia caído na estreia e sempre esteve em todos os Mundiais da Fifa. Ocorre que não há certeza alguma, nem mesmo confiança, de que a seleção de Dunga estará na Rússia em 2018. O primeiro passo foi dado para o lado contrário, para trás. Dunga levou os melhores jogadores que podiam defender o País – Neymar está suspenso e também ficará fora do jogo com a Venezuela, agora em Fortaleza. O problema é que o treinador continua sem uma equipe. Mas vou direto ao ponto: falta personalidade aos jogadores, há muito toquinho de lado, muita espera, pouca criatividade e ousadia, quase nenhum arremate certeiro.

 

O Brasil joga sem confiança. O Brasil joga travado. O Brasil joga sem saber o que está fazendo. Dunga fecha alguns treinos, como a maioria dos treinadores, mas não se vê nada de novo na prática que pudesse ter sido ensaiado na véspera. Parece que os jogadores se acanham com a camisa da seleção, quando deveria ser o contrário. Todos eles, de Hulk e Douglas Costa, são reverenciados e decisivos em seus respectivos clubes. Mas na seleção, atuam com o freio de mão puxado. Quem mais me decepciona é Elias, que voa no Corinthians e não joga nada no Brasil. É claro que isso se deve ao dedo do treinador, aos pedidos e determinações de Dunga. Esse é o ponto.

 

Oscar e Willian, da mesma forma, fazem o papel de ajudar na marcação, ocupar espaços vazios impedindo liberdade do rival, mas são quase nulos no ataque, onde se espera muito mais deles. Já foi assim na Copa do Mundo. Mesmo nos contra-ataques, o Brasil mostra-se lento e sem saber o que fazer com a bola lá na frente. Confesso não ter visto nada de positivo nessa seleção que apanhou do Chile por 2 a 0. Digo ‘de bom’ do meio para frente, nos arremates, em dribles ou jogadas de linha de fundo, em tabelas curtas. Daniel Alves ficou preso à marcação. Marcelo teve mais liberdade, mas produziu pouco. O meio de campo do Brasil, os volantes, preocupam-se em desarmar apenas. E os homens da criação e do arremate deixaram a desejar. Em nenhum momento os comandados de Dunga fizeram o torcedor levantar do sofá.

 

Não foi por acaso que Brasil e Argentina perderam na estreia dessas Eliminatórias. Isso só comprova o que todos já sabiam: o futebol sul-americano está muito nivelado. Resultado é sempre importante, mas Dunga precisa soltar mais seus jogadores. Taticamente, o Brasil se equipara aos adversários do continente. Precisa ter um pouco mais de graça, ou muito mais graça. Sem Neymar, esse time não tem graça nenhuma. E isso resume-se em jogar futebol. O Brasil não consegue jogar futebol.

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