Seleção: nem sempre o que está bom vai continuar ou não se pode melhorar

Desafio de Tite é resgatar o que está dando certo e aperfeiçoar o futebol do time até chegar à Copa

Robson Morelli

22 de março de 2017 | 11h54

É preciso pensar na seleção brasileira a cada partida ou a cada torneio ou ainda a cada ciclo. 2016 foi um ano em que o Brasil recuperou parte do seu prestígio, subiu na tabela das Eliminatórias Sul-Americanas e voltou a ser acompanhada mais de perto pela torcida, que estava de ressaca após os 7 a 1 e outros resultados sob o comando de Dunga. Tite foi fundamental nesse caminho. Resgatou alguns jogadores, fez virar outros e deixou Neymar trabalhar com mais tranquilidade. Tudo funcionou.

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2017 recomeça com os confrontos diante do Uruguai, nesta quinta, e depois Paraguai, no Itaquerão, dia 28, onde o treinador foi bastante feliz. São jogos bons. Difíceis, mas bons. Jogador gosta de partidas assim. Em São Paulo, a seleção relembrou tudo o que deu certo na temporada passada, como posicionamento, jogadinhas, jeito de correr para frente e para trás, de recompor defesa, de sair em velocidade. É um período também de rever os amigos. Cada um atua em um lugar do mundo, com técnicos e companheiros diferentes, clima diferente, e a seleção propicia esses reencontros. Quando tudo está bem, a tendência é que a alegria impere.

O que não quer dizer que Tite não tenha trabalho duro para fazer. Ele sabe, se não sabe, aviso, a seleção é muito mais cobrado quando está bem do que quando joga mal. O sentimento do torcedor é distinto nessa situação. Quando o Brasil está afundando, ninguém estende a mão, o desgosto faz o torcedor abandonar o time, aumenta o desinteresse. Quando o Brasil está bem, como agora, todos esperam nova vitória, boa apresentação, doses de magia e bonitas jogadas, além, claro, de gols. Esse é o cenário atual da seleção.

O senão é que quando tudo são flores alguns podem entender que não é preciso correr mais, jogar mais, se entregar mais, pensar mais e executar mais. Aí, o time enfraquece. O ‘fala muito’ de Tite tem de servir para isso, para instruir seus bons jogadores da necessidade de jogar com tranquilidade, como se espera de um líder de tabela, sem perder o objetivo. O Brasil precisa dos pontos para se aproximar da Copa da Rússia. Então, essa seleção, por melhor momento que vive, não pode abrir brechas para novos ciclos, ciclos ruins. Precisa continuar o que começou em 2016. Essa geração comandada por Tite ainda tem a missão de resgatar o futebol brasileiro, da Copa de 2014 e de outros tempos. Resgatar não quer dizer, necessariamente, fazer igual. Tem de fazer melhor, de forma moderna, atual.

Imagino que Tite esteja pensando muito além disso. Por isso ele foi o escolhido com respaldo popular. Tite deve pensar em melhorar o que já foi bom no ano passado. Nada é tão perfeito que não possa ser melhorado. Isso se aplica muito à seleção nesse momento.

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