Seleção brasileira perde Neymar, seu capitão, e o rumo na Copa América

O futebol da seleção é reflexo das mazelas de seus dirigentes e de uma terra arrasada, onde o técnico é Dunga, o craque está desequilibrado, o time inexiste e seus principais cartolas, um está preso e o outro teme deixar o País

Robson Morelli

19 de junho de 2015 | 23h25

A decisão do Comitê Disciplinar da Conmebol agiu com o rigor da lei para julgar e punir um jogador que cometeu excessos numa partida da Copa América. Não levou em conta que esse jogador era Neymar. Poderia ser Messi. O fato é que a punição atingiu em cheio o coração da seleção. O Brasil perdeu seu principal atleta, seu capitão e o rumo na competição do Chile. Mais uma vez e por motivos diferentes, Neymar não consegue terminar um torneio importante para o time nacional. Apesar dos 23 anos, ele não pode mais se comportar dessa forma. Abusou das bobagens, da valentia diante dos rivais e da pouca inteligência que se se esperava de um craque. Os quatro jogos de gancho o tiram da Copa América, embora a CBF já avisou que vai recorrer da sentença. Se conseguir mudar o desfecho do Comitê, a chance é que Neymar pegue somente três jogos de punição. Não muda nada. O Brasil já está dilacerado.

O capitão do Brasil foi expulso porque mandou a bola nas costas de Armero depois do fim do jogo, porque estava nervoso em campo e até cabeçada deu num marcador, porque xingou o juiz. Não me parece pouco para um atleta do seu nível, que é craque e joga na Europa ao lado de tantos bons exemplos. Parece não ter aprendido nada, e começa a carregar fama negativa na hora das decisões, pelo menos com a camisa do Brasil. Neymar errou e todos passaram a mão em sua cabeça, do treinador Dunga aos companheiros do time. Isso também não ajuda em nada seu amadurecimento. Neymar deveria também ser punido dentro do grupo.

A Conmebol fez o que tinha de ser feito. Exagerou? Não. Foi-se o tempo em que a CBF era forte nos bastidores da Sul-Americana. O até então presidente José Maria Marin está preso e esquecido na Suíça. Del Nero, o atual capo do futebol brasileiro, não arreda o pé do País. É o que temos. Em campo, Dunga até que tem alguns bons jogadores, mas sem entrosamento e estofo para assumir uma seleção brasileira. Há um bando de garotos que ainda precisam comer muito arroz com feijão. O fato é que entregaram a seleção para gente inexperiente. Colhemos o que plantamos. Neymar tem culpa no que fez, mas ele não pode ser o único nesse time como é. Pelé na Copa de 1962, no mesmo Chile, não pôde jogar e mesmo assim o Brasil foi campeão do mundo. O grupo de Dunga está longe de repetir o feito. Na Copa de 2014, quando o time de Felipão ficou sem Neymar, o máximo que fizeram foi posar com uma foto do craque antes de apanhar sem dó da Alemanha. 

Portanto, perder para a Venezuela neste domingo só coroaria o estádio do futebol brasileiro: sem jogador, com um craque desequilibrado, sem comando nos bastidores, com o ex-presidente da CBF preso por corrupção e com o atual com medo de deixar o Brasil pelo mesmo motivo.

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