Sem pagar salários, Santos perde jogadores e corre risco de também ficar sem técnico

Presidente Peres tem a missão de agrupar esse elenco para não perder mais ninguém e assim convencer todos a permanecer no clube

Robson Morelli

20 de julho de 2020 | 16h00

A manhã foi agitada na Vila Belmiro. Dois jogadores entraram na Justiça para romper seu contrato com o Santos: o goleiro Everson e o atacante Sasha. Isso não é muito comum. Eles podem puxar a filha de um grupo insatisfeito com a gestão do presidente José Carlos Peres. A situação pode ainda atingir o treinador português Jesualdo Ferreira. Há muita confusão nesta retomado do Santos. O time voltou a treinar e volta a jogar na quarta-feira. Os problemas dizem respeito à falta de pagamento de salários e direitos, como o depósito do FGTS. São mais de três meses de atrasos, promessas e tais. Jogadores dizem que o combinado da redução era de 25% ou 30%, mas o Santos descontou 70%. Isso deixou muita gente de bico, querendo sair, achando-se traído, fazendo da Vila um caldeirão de pólvora.

Só pede rescisão de contrato jogador que está com oferta de outro time nas mãos. Não seria surpreendente se esses dois santistas aparecessem em outros clubes ainda no Brasileirão, que começa dia 9 de agosto. Peres teme que outros façam o mesmo nesta semana. O Santos não tem plano B. Espera, como todos os outros clubes, receber dinheiro da TV (o time é fechado com a Turner e quer romper o contrato) e vender jogador. Qualquer situação diferentemente disso, seria chamado de milagre. Jogar, ganhar suas partidas e tentar chegar à final do Paulistão pode ser um alento. E outro milagre. Vale lembrar que buscar empréstimo no mercado é sempre um caminho aos clubes brasileiros.

Tem mais. Com essa situação delicada financeiramente, é possível que atletas que tinham recusado propostas anteriores à pandemia, agora aceitem e deixem o Santos. É o caso de Soteldo. O venezuelano tinha oferta de US$ 12 milhões vinda do Atlético-MG, onde está Sampaoli, seu ex-técnico. Isso dava R$ 52 milhões na época. Talvez esse dinheiro não exista mais, mas se a oferta for refeita, Soteldo, que dizia estar feliz em Santos com seus familiares, pode se mudar para Belo Horizonte. Tudo vai depender agora da experiência de Peres de negociar com o elenco. Negociar ele sabe. Já foi do mercado financeiro. É bom de conversa. Agradável no trato.

O caso do treinador pode estar mais ligado à condição da pandemia no Brasil em comparação com Portugal e ao fato de Jesualdo ser do grupo de risco, aos 74 anos. Pode se sentir desamparado. Ele também enfrenta os mesmos problemas de seus jogadores, a falta de salário. Se ele pedir para sair, o Santos estará numa encrenca gigantesca nesse momento. Portanto, a semana vai ser quente na Vila Belmiro.

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