Seria um desastre a Libertadores acabar para Corinthians e São Paulo

As duas diretorias atrasam salários e direitos de imagem, mas os jogadores dos dois times precisam esquecer a dívida nesta quarta e correr, não por seus dirigentes, mas pelo torcedor

Robson Morelli

13 de maio de 2015 | 16h24

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Até outro dia, o São Paulo estava com a corda no pescoço e ameaçado de não passar na fase de grupos da Libertadores, o que seria um desastre retumbante para o clube do Morumbi, que sempre teve a competição sul-americana em seu DNA. Na mesma chave, o Corinthians voava em céu de brigadeiro, sem turbulência ou ventos laterais. Três semanas depois, a tempestade veio e mudou os ares para esses dois times paulistas na Libertadores. O São Paulo se garantiu na etapa de grupos e no primeiro jogo do mata-mata fez 1 a 0 no Cruzeiro. Já o Corinthians, que dizem escolheu adversário, apanhou do Guaraní do Paraguai por 2 a 0 e complicou sua situação.

No jogo desta quarta-feira, o São Paulo atua em Minas pelo empate, e dada a qualidade técnica do seu elenco, não seria demais supor que poderá sair do Mineirão com mais uma vitória. O Cruzeiro, campeão brasileiro, ainda tenta achar um acerto para seu time.

Mas o jogo da noite mesmo é o do Itaquerão, entre Corinthians e Guaraní.  Essa partida vai mexer com todo mundo: com os corintianos, que poderão dar a volta por cima, bater no peito e se credenciar para continuar na briga pelo caneco da Libertadores se ganhar por três gols de diferença; mas também com o torcedor de todos os outros times que estarão torcendo contra o Corinthians. Primeiro, para ver o rival eliminado. Segundo, porque o Corinthians fora abre espaço para os classificados do Brasil, afinal, a equipe de Tite sempre foi credenciada para ganhar o torneio.

O problema financeiro do Corinthians, a falta de pagamento aos jogadores, atraso de salários na ordem de R$ 15 milhões, não podem entrar em campo nesta quarta. O capitão do time, Ralf, entre os outros líderes, deve conversar com o elenco nesse sentido no vestiário, o de jogar sem olhar para a conta bancária, mais uma vez confiando nas promessas dos dirigentes. O grupo precisa correr por sua torcida, mesmo a despeito da falta de hombridade de quem atrasa salário no futebol. Pode até parar e cruzar os braços depois da partida, nos jogos do Brasileirão, mas ganhar do Guaraní por diferença de três gols é fundamental. É um sinal de respeito aos torcedores corintianos.

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