Sheik, o malandro carioca

Robson Morelli

25 de maio de 2011 | 09h14

Emerson Sheik leva para Corinthians a  malandragem do carioca. E também a malandragem do jogador de futebol. Digo isso no bom sentido. Refiro-me a essa ginga dentro de campo, esses atalhos que somente os descolados conseguem pegar. Vejo Sheik e lembro muito de Romário, aquele cara de fala mansa, língua presa e malaco na concepção da palavra. Outro dia alguém contou uma história na redação do Jornal da Tarde, acho que foi o colega Matheus Silva Alves, jornalista dos bons, sobre o tal do treino alemão que alguns técnicos gostam de fazer. Parreira era um deles, embora sob seu comando o trabalho parecia ter alguma finalidade.

O treino alemão é aquele em o treinador divide o grupo em três times e põe os caras para jogar num mesmo campo, com três ou quatro gols. Romário viu aquilo e quase tirou as chuteiras. Depois, perguntado para o atacante porque ele não havia participado do treino, não teve dúvidas: “Você viu o treino?, perguntou ao repórter. Vi. E entendeu? Nada. Então. Porque eu vou participar disso se não vai me ajudar no jogo? Inventou um dorzinha no tornozelo e rapou fora.

Olho para o Sheik e vejo o mesmo malandro. E esse é o malandro esperto. Digo isso porque há uma porção de jogadores por aí que se dizem malandro da bola e só se metem em confusão fora de campo. Esse é o malandro otário, que vive se explicando de seus atos. E tem mais: Emerson Sheik é bom de bola. Se ele vestir mesmo a camisa do Corinthians como pede a tradição, vai dar o que falar no Parque São Jorge.

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