Surpresas, decepções e esperança neste primeiro turno do Brasileirão

10 impressões sobre as 19 rodadas iniciais da competição

Robson Morelli

17 Agosto 2015 | 10h21

Apesar da desorganização dos clubes, da eterna falta de dinheiro ou má gestão e de tantas mudanças nos times, a primeira parte do Campeonato Brasileiro conseguiu empolgar o torcedor com bons jogos, algumas goleadas, derrotas espetaculares e boa dose de emoção. Houve surpresas e decepções e ainda há esperança para muita gente em campo. O blog aponta 10 fatos que marcaram o primeiro turno do Nacional.

1 – TROCA DE TREINADORES

Os dirigentes continuam salvando a pele da forma que sabem: demitindo seus treinadores. O último deles foi Celso Roth, sábado, após derrota para o Coritiba. Ele ficou no Vasco por 11 partidas. Foram 17 trocas. Um dia antes de Roth cair, o Inter se acertava com Argel para o lugar de Aguirre. Essa dança das cadeiras ainda não acabou, mas a segunda parte do torneio costuma ser menos intempestiva nesse sentido. Os cartolas não conseguem segurar treinadores que eles mesmo escolhem.

2 – CORINTHIANS FORTE

O Corinthians termina as 19 primeira rodadas com 40 pontos, na frente de todos os rivais. Correu atrás do Atlético-MG até contar com seu tropeço e ultrapassá-lo para abrir vantagem de quatro pontos. O elenco entendeu a proposta do treinador e parece que todos remam para o mesmo lado após tempestade com a saída de alguns jogadores importantes, como Emerson e Guerrero. Elias voltou a jogar e conduzir o time.

3 – RONALDINHO NO FLUMINENSE

Numa jogada rápida e passando a perna no Vasco, a diretoria do Fluminense acertou a volta de Ronaldinho Gaúcho ao Brasil, depois de ele passar uma temporada no México. Ronaldinho, além de ser uma tacada de marketing do time das Laranjeiras, também tem condições de ajudar o Flu em campo, ao lado de Fred. O time é quarto colocado nessa virada de turno.

4 – DISPUTA ACIRRA PELO CANECO

Nenhum time disparou na frente tampouco matou a esperança de rivais de brigar pelo título. O Corinthians lidera, mas se bobear, perde o posto para uma série de adversários em condições de ser campeão. Refiro-me a Atlético-MG, Grêmio, Flu, Palmeiras e São Paulo. Pode haver outros

5 – NA BOCA DO POVO

Duas equipes deram o que falar nas 19 rodadas do Nacional: Sport e Grêmio. O time pernambucano, 7º na tabela, perdeu um pouco de fôlego nessa reta final de primeiro turno, mas sempre esteve na briga, contrariando muita gente que apostava na equipe como ‘cavalo paraguaio’. O Sport, aliás, fez boas partidas com grandes da tabela, e deu suador em muitos deles. O outro é o Grêmio, que retomou seu caminho após a chegada de Roger Machado no lugar de Felipão. O treinador acertou a equipe, deu pegada e mostrou uma forma de atuar. É um dos melhores times do Brasileiro.

6 – VONTADE DE GANHAR

Daria para citar pelo menos meia dúzia de equipes que se propõe a jogar em busca do gol, para frente, sem medo de perder ou com mais vontade de ganhar. Isso torna as disputas, não todas, mais agradáveis, principalmente para o torcedor. Não foram poucos os resultados dos 90 minutos com mais de quatro gols. Nesse fim de semana, o jogo Palmeiras e Flamengo teve seis gols.

7 – ARBITRAGEM PERDIDA

Mais uma temporada, pelo menos nessa primeira etapa, a arbitragem do futebol brasileiro é fraca e desencontrada. Pior. Inventou-se uma regra nova de mão na bola, bola na mão, que ninguém mais sabe ao certo o que marcar. Nem mesmo o torcedor, sempre ligado, tem certeza se seu time foi ajudado ou prejudicado. Isso sem falar que nas primeira partidas, os árbitros distribuíram cartões de graça na menor reclamação dos jogadores e técnicos. Tanto abusaram que tiveram de voltar atrás nessa decisão. Resumindo: foram raras as partidas em que o juiz ganhou aplausos.

8 – PÚBLICO BOM

Os estádios novos, aliados com algumas promoções, arrastaram o torcedor para o futebol do fim de semana e das quartas e quintas à noite. As arenas estiveram sempre lotadas, a exemplo do que ocorre com Corinthians e Palmeiras, Atlético-MG e Grêmio. O torcedor, na média, tem apoiado seu time. A média das partidas é de 17 mil torcedores, mas essas equipes citadas, e algumas outras, têm lotado seus estádios.

9 – TÉCNICOS ESTRANGEIROS

O Brasil recebe melhor os treinadores estrangeiros. O maior exemplo disso foi a chegada de Osorio ao São Paulo, vindo do futebol colombiano. Aquela fase de desconfiança já passou e o treinador vai se sustentando no cargo, ora com boas vitórias, mas também com derrotas feias, como a sofrida para o Goiás em casa, sábado, por 3 a 0. O fato é que as portas estão cada vez mais abertas para os forasteiros.

10 – TORCEDORES CHATOS

Os torcedores continuam pressionando seus times e dirigentes. A ’emboscada’ que sofreu o time do Vasco na chegada ao Rio precisa acabar de uma vez por todas no País. Felizmente, a maioria agora se manifesta pelas redes sociais, xingando ou aplaudindo seus personagens. Mas ainda há muita gente que vai para estádios a fim de brigar. Melhorou, mas ainda há muitos torcedores chatos e sem paciência.