Tite está blindado pelo jogadores da seleção e todos estão juntos pensando na Copa do Mundo

Atletas não vão deixar presidente da CBF, Rogério Caboclo, mexer com o treinador a não ser que ele queira se afastar por causa dos problemas com o dirigente, como acusação de assédio e 'desrespeito' com os atletas

Robson Morelli

05 de junho de 2021 | 16h22

Tite está fechado com os jogadores da seleção no que diz respeito a eles não quererem disputar a Copa América. Mas os jogadores do Brasil também estão fechados com o treinador que está no cargo desde 2016, com uma Copa do Mundo nas costas, a da Rússia, quando o time foi eliminado pela Bélgica. Tite ganhou o elenco e se fortaleceu com ele. Tem protegido todos os atletas, mesmo aqueles que jogam menos ou nem jogam. Há uma comunhão fortalecida agora pela dianteira dos atletas em peitar o comando da CBF, visto pelo elenco como despreparado e prepotente. Os jogadores não se sentem à vontade com o presidente da CBF, Rogério Caboclo. E não vão deixar Tite na mão.

Foto CBF 

Após o episódio que toma conta da seleção nas Eliminatórias, a Copa América no Brasil, os jogadores fazem uma leitura clara de que não é hora para a realização da competição – eles já esperavam que a Conmebol fosse desistir do torneio enquanto ele estava na Argentina por causa da covid-19 no continente – e de que devem blindar Tite diante do cartola.

Em outras palavras, o elenco do Brasil (que está em Porto Alegre) não vai aceitar que Caboclo demita o treinador ou qualquer membro da comissão técnica e da coordenação de seleções, como Juninho Paulista. A comissão técnica é empregada da CBF, assim como os outros funcionários de cargo. Os atletas não possuem vínculo com a entidade.

Portanto, o grupo atual do Brasil ficará junto desde que todos permaneçam nos seus respectivos postos, sem interferência. Caboclo será de agora em diante um mero espectador. Qualquer cenário diferentemente disso, promete provocar uma rebelião jamais vista na seleção brasileira. Tudo isso empurra ainda mais o presidente Caboclo para fora da CBF. Ele foi eleito pelas federações estaduais e ficaria até depois da Copa do Catar.

Os jogadores só aceitariam as saídas de Tite e dos outros membros da comissão se eles quisessem sair. Tite está incomodado de ter seu nome e também o do seu filho, que trabalho com ele na seleção, em começo de carreira, próximo de um dirigente que agora é acusado de assédio sexual e moral contra uma funcionária. Ele tem driblado os beijos de Marco Polo del Nero e os sorrisos de Caboclo. Não estaria mais disposto a continuar fazendo isso.

Ele terá de tomar a decisão se deseja ficar ou sair da seleção. Um pedido dos jogadores para que fique pode ajudá-lo. A proximidade da Copa do Mundo, em novembro do ano que vem, também. Para o bem da seleção, Rogério Caboclo ainda pode pedir afastamento para tratar de assuntos pessoais, provar sua inocência sem exercer qualquer função na entidade. E assim passar o cargo para o vice-presidente mais velho. Mesmo assim, não daria tempo de Tite chegar à Copa se o Brasil confirmar sua vaga – lidera o grupo com 15 pontos.

Protegido pelos jogadores, Tite terá de administrar sua ansiedade, sonhos e desenhos de disputar mais uma Copa do Mundo ou se afastar dos problemas da CBF e do seu atual presidente. Isso tem tirado seu sono.

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