Tite precisa ensinar os jogadores da seleção a comemorar vitórias com a torcida

Tite precisa ensinar os jogadores da seleção a comemorar vitórias com a torcida

Jogadores preferem alimentar a rivalidade do "nós" contra "eles", em que o "nós" são os jogadores e o "eles" o Brasil todo

Robson Morelli

03 de julho de 2019 | 15h58

Pobreza de espírito... Dois casos me chamaram a atenção após a excelente vitória do Brasil sobre a Argentina por 2 a 0 no Mineirão. O capitão Daniel Alves desembestou a condenar os que não acreditavam no futebol da seleção, meio que colocando esses contra o grupo de jogadores comandados por Tite, como se a torcida não tivesse razão em vaiar o time nas partidas anteriores, exceto aquela em que o Brasil fez diante dos peruanos (5 a 0).

Era para ser capitão… Ora, Daniel Alves não soube comemorar a vitória e a melhor apresentação do Brasil nesta Copa América. E ele é, de longe, o mais bem preparado para falar em nome do grupo. Daniel jogou muito em Minas Gerais contra os argentinos. Joga muito há dez anos. Deveria, portanto, comentar mais dele e da boa partida do que dos “nós” contra “eles” que existe na seleção desde os anos de Dunga.

Nós contra eles… Da mesma forma, Gabriel Jesus respondeu enviesado a um repórter sobre uma “conversa” que teve com Casagrande, comentarista da Globo. Gabriel poderia ter deixado passar qualquer desavença com o ex-jogador, mas preferiu trazer à tona o sentimento, mais uma vez, do “nós” contra “eles”.

Uma missão para Tite… Tite poderia ensinar seus jogadores o que é defender a seleção e representar o povo brasileiro numa competição importante. Deveria porque ele é o comandante. Só por isso. É mais maduro e sabe o que isso significa. Aliás, todo treinador deveria fazer isso com seus atletas, principalmente na seleção.

Próprio umbigo… Há tempos esses elencos do Brasil, do qual Daniel Alves e Gabriel Jesus fazem parte por competência e merecimento, olham para o próprio umbigo quando estão representando o País. Esses grupos se fecham na Granja Comary ou em qualquer hotel do mundo é jogam por eles próprios, por suas fortunas e prazeres pessoais. Eles não jogam pela torcida, pela bandeira, pelo Brasil. Eles não querem nos representar. Eles não entendem cobranças. Eles não sabem o que significa jogar na seleção brasileira. Eles não têm sequer a dimensão do que é a seleção brasileira. Alguns até desdenham jogadores do passado. Então, mesmo jogando bem contra a Argentina, esses dois jogadores se perderam em suas próprias palavras e se deixaram levar por gozações internas, cobranças necessárias e a necessidade de alimentar a rivalidade do “nós” contra “eles”. Uma grande bobagem.

Uma pena… Daniel Alves até repensou depois suas palavras e mudou um pouco o tom delas. Jesus foi dormir achando que fez a coisa certa. Uma pena.

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