Torcedores no Canindé chamam jogadores negros do Bragantino de Aranha

Goleiro do Santos se transforma em sinônimo de 'macaco' após injúrias racistas sofridas na Arena Grêmio

Robson Morelli

17 Setembro 2014 | 17h57

Um amigo, Roberto, esteve no Canindé sábado para ver o jogo da Portuguesa com o Bragantino, com vitória do time visitante por 3 a 1. Havia poucas pessoas no estádio. Ele estava sem fazer nada em casa, já sabia da surra do Palmeiras diante do Fluminense quando resolveu matar o tempo na arquibancada do Osvaldo Teixeira Duarte. Foi testemunha dos torcedores da Lusa chamando os jogadores do Bragantino de Aranha, numa clara e provocativa alusão às injúrias racistas sofridas pelo goleiro do Santos na partida contra o Grêmio, pela Copa do Brasil.

Aranha virou sinônimo de macaco.

Essa é a leitura que faço desse episódio a mim contado domingo de manhã e reproduzido agora. Era tudo o que não podia acontecer nesse episódio do futebol brasileiro. O torcedor burla atos de injúria racial para ofender jogadores negros. Não grita mais ‘macaco’, mas grita Aranha. Esse caso deveria ser investigado pelas autoridades competentes. Os gremistas envolvidos nos xingamentos a Aranha respondem por suas ações na Justiça. O caso não está encerrado. A torcedora Patrícia Moreira, de 23 anos, sofre perseguição após ter seu rosto identificado por câmeras de tevê. Fugiu de casa para não apanhar. O Grêmio foi excluído da Copa do Brasil em primeira instância. O Brasil acompanhou a tudo isso com muita revolta e indignação.

É imperdoável, portanto, que torcedores de futebol transformem o goleiro do Santos em tudo o que ele está lutando contra, que podemos definir aqui em uma palavra: discriminação. Aranha é vítima e não pode ser nada diferente disso.