Torcida do Santos completa o papelão que a Conmebol começou na Libertadores

Torcida do Santos completa o papelão que a Conmebol começou na Libertadores

Ocorre que o caso foi gerado pela fraca gestão do clube da Vila Belmiro, amadora e equivocada

Robson Morelli

29 Agosto 2018 | 14h42

Gostaria de convidar o amigo a refletir comigo sobre tudo o que envolveu a eliminação do Santos na fase de oitavas de final da Libertadores, propondo-se ao exercício desprovido de qualquer sentimento clubístico e de paixão pelo time ou pelo futebol de modo geral. Tentarei alinhar os equívocos que vejo no episódio, que vai custar caro ao Santos e à própria Confederação Sul-Americana de Futebol, a Conmebol.

FOTO ALEX SILVA / ESTADÃO

1 – O caso só existe porque o Santos mandou a campo um jogador irregular, Carlos Sánchez, que não poderia jogar contra o Independiente. O clube consultou o site da Conmebol, que deveria servir como base, mas não se certificou pessoalmente com algum membro responsável da entidade pela veracidade das informações do site.

2 – O caso também só existiu porque o clube argentino entrou com ação ou pedido de checagem na própria Conmebol. O River Plate teve exemplo semelhante, mas nenhum de seus rivais entrou com processo na entidade sul-americana.

3 – O jogador uruguaio Carlos Sánchez deveria ter avisado o Santos do problema, da punição do passado, da possibilidade de estar impedido de atuar. Ora, o jogador só faz isso e deveria ter sido mais responsável. Não aceito a desculpa de que ele não se lembrou. A punição ocorreu em 2015.

4 – O Santos assumiu em sua própria defesa que estava errado, mas que a Conmebol poderia punir o jogador na segunda partida, a de terça-feira no Pacaembu. Portanto, assumiu o problema e a lambança.

5 – A Conmebol, sob nova direção depois da onda de falcatruas de seus dirigentes, punições e condenações por corrupção, demorou uma semana para tomar a decisão de punir o Santos com W. O. e derrota de 3 a 0. Fez isso no dia da segunda partida, horas antes do jogo. Isso provocou a ira do torcedor que havia adquirido 37 mil ingressos para a partida. Falhou.

6 – A torcida do Santos completou a sequência de ‘burradas’ do episódio, quebrando e destruindo parte do Pacaembu, atirando bombas no campo e tentando invadir o gramado. Brigando com policiais militares. Vai prejudicar o time, possivelmente. Nada justifica quebrar tudo. principalmente um estádio que recebe o Santos na Capital. A Prefeitura de São Paulo pode agora muito bem não alugar mais o Pacaembu para o time da Vila Belmiro.

7 – O garoto Rodrygo não tinha nada de aprovar a atitude dos torcedores. O atacante, que vai para o Real Madrid, tem de saber que agora ele é ouvido e pode ser referência para outros menores do que ele ou da mesma idade. Apoiar vandalismo é errado, Rodrygo! Quando se é influente, não se pode fazer isso. Colocar mais lenha na fogueira. Fez média e foi mal.

8 – Cuca colocou sua cabeça a prêmio ao dizer que a diretoria do Santos errou ao não checar a situação do jogador uruguaio. Disse, com todas as letras, que isso é básico no futebol. Em outras palavras, chamou a todos de amadores. De toda a história, foi o momento de maior lucidez.

Mais conteúdo sobre:

futebolSantos FCCopa Libertadores