Treinadores brasileiros estão acuados e precisam responder sobre competência no Brasileirão

São todos profissionais do ramo, mas se escondem atrás das mesmas desculpas de sempre. Não evoluem

Robson Morelli

19 de agosto de 2020 | 11h36

Os técnicos brasileiros estão acusados e sendo cobrados. Cobrados por torcedores e dirigentes. São todos boas-praças, profissionais do ramo e não há paraquedistas na função. Mesmo assim, não conseguem mostrar nada em seus respectivos times, repetem as desculpas de sempre, acusam a falta de tempo para os resultados aparecerem, mas a verdade é que eles nunca aparecem. São times sem cara e padrão. Que vivem de lampejos. E vivem assim porque não há proposta de jogo.

 

Nesta quarta rodada do Brasileirão, já há treinador ameaçado. Os que não estão nesta condição, são por outros motivos. Luxemburgo ainda deve no Palmeiras. É querido no clube, mas não pode trabalhar por amizade. Tiago Nunes não consegue deixar o Corinthians mais ofensivo. Foi atrapalhado pela pandemia. Diniz tem um problemão na defesa do São Paulo e no vestiário. Já deveria estar em estágio mais avançado. O Santos demitiu seu treinador há duas semanas. Cuca chega pisando em ovos. Mas é o mesmo de sempre. Isso só para ficar nos clubes de São Paulo.

Todos eles ainda se incomodam com o trabalho de Jorge Jesus e Sampaoli, quando na verdade deveriam beber dessa água. Ma não são humildes suficientemente para aceitar que dois estrangeiros fizeram bom trabalho no futebol brasileiro.

Temem o quê? Pela falta de emprego? Talvez. Mas com o que eles vêm mostrando em seus times, vão perder os cargos mais cedo ou mais tarde. Vão ficar trocando de clube constantemente e nunca vão conseguir entregar o que prometem ou que se espera deles. O futebol brasileiro está muito ruim, a ponto de o presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, ter de pedir mais empenho e comprometimento. Isso é função do treinador.

Há ainda muita conivência com o jogador de futebol, eternamente mimado por treinadores e dirigentes. Se isso acabar e todos passarem a ser mais profissionais, o futebol pode melhorar. Correções precisam ser feitas. Cobranças são necessárias todos os dias. Conversas precisam ter. Qual é o problema de Lucas Lima, por exemplo? Por que ele não joga mais? Perdeu o entusiasmo? Essas coisas precisam ser tratadas e resolvidas.

Da mesma forma há jogadores que não rendem no São Paulo e Corinthians por algum motivo que Diniz e Tiago não conseguem explicar. Precisam saber o que podem fazer no elenco. Precisam ter apoio dos cartolas. Precisam pensar o futebol. E deixar de se vitimizar cada vez que eles têm de explicar resultados ruins e péssimas apresentações. Será tão difícil assim montar um time competitivo?

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