Trocar de treinador é a decisão mais fácil para dirigentes pressionados pelos resultados

A demissão do 'professor' só atesta a incompetência dos cartolas do futebol, brasileiro e mundial

Robson Morelli

09 de junho de 2015 | 11h09

Dois times grandes de São Paulo, o Palmeiras e o Santos, vivem o desejo de trocar seus técnicos por falta de resultados no Brasileiro. Oswaldo de Oliveira balança depois da derrota para o Joinville no domingo e Marcelo Fernandes entrou em desgraça após amargar sequência sem ganhar. O fato de alguns outros técnicos estarem no mercado, após demissões em seus respectivos clubes, casos, por exemplo, de Marcelo Oliveira, ex-Cruzeiro, faz com que dirigentes se cocem nas cadeiras a fim de demitir e contratar novo ‘professor’.

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E aí está a incompetência dos nossos cartolas, que olham e gerem o futebol de seus respectivos times com o pé no passado. Demitir o técnico é a decisão mais fácil quando as coisas não estão dando certo. É como bater no filho quando ele faz malcriação ou coisa errado. É o caminho dos que não sabem nada. Um treinador deveria perder o emprego apenas no fim das temporadas se a diretoria achar que o trabalho de um ano não foi legal. Porque os que demitem, sempre agradecendo e desejando sorte ao demitido, são os mesmos que contratam. Então, são míopes duas vezes. Antes e depois.

Talvez treinar um pouco mais e fazer com que os jogadores trabalhem fundamentos seja necessário. Talvez boas conversas com o técnico podem ajudá-lo. Talvez passar confiança seja o caminho. Talvez jogadores mais experientes pudessem entrar no circuito e dar opinião sobre possíveis trocas. Demitir por demitir, para dar satisfação à torcida ou aos investidores, é burrice, fraqueza de cartola, incompetência para arrumar a casa e fazer a omelete com os ovos que tem. Todo time que cai na tentação de trocar de técnico em meio à competição fica pelo caminho.

Se Palmeiras e Santos caírem nessa tentação, com Oswaldo e Marcelo, voltarão à estaca zero de planejamento e preparação. Jogarão na lata de lixo cinco meses de trabalho. Os jogadores não saberão mais se estão dentro ou fora e aí a cabeça pira e as pernas não rendem mais. É sempre assim. A culpa pelos fracassos não são somente dos técnicos, embora eles sejam responsabilizados por tudo. Os treinadores também precisam melhor, isso é inegável. Entendo que eles trabalham pouco em campo, fazem tudo ao mesmo tempo e não conseguem aprimorar nenhum jogador, que, por sua vez, chega ao profissional sem saber dar passes ou chutar com os dois pés. Por fim, estão os dirigentes querendo trocar tudo na primeira derrapada. Esse é o cenário futebol de momento no Brasil. É gol da Alemanha.

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