Tudo para o sócio-torcedor. Nada para o torcedor comum

Robson Morelli

30 de abril de 2010 | 09h40

Gostaria de saber dos amigos o que acham da forma utilizada pelo Corinthians para vender os ingressos das partidas do time na Libertadores, método que também deverá ser usado no Campeonato Brasileiro para os principais jogos. O clube disponibiliza (detesto esta palavra) 35 mil ingressos para seus sócios-torcedores, que pagam uma taxa anual ou mensal para ter sua carteirinha e se beneficiar dela. O que sobra desta venda, geralmente pela internet, vai para o corintiano comum. Para o duelo com o Flamengo, quarta-feira, por exemplo, o torcedor comum deve ficar com migalhas, se ficar. Os 37 mil ingressos já estão quase todos vendidos. Restam os mais caros, acima dos R$ 200. É justo o procedimento? Tenho dúvidas. Que para o clube é um negocião, até entendo. Ele vende tudo antecipadamente pela internet, sem confusão (nem sempre). Mas e para o torcedor que gostaria de levar seu filho ao jogo, fazer uma cortesia a um amigo ou ver a partida ao lado do pai, talvez este um corintiano dos tempos em que o Pacaembu ainda via jogadores como Rivellino, Sócrates, Neto? Esses dificilmente terão ingressos. O mais justo para o torcedor comum seria que o clube reservasse uma fatia da cota dos bilhetes, 10 mil ou 15 mil, para qualquer um que queira ver o confronto e que não faça parte de nenhuma associação ou entidade ou grupo que seja. Desta forma, o clube atenderia públicos diferentes e também formaria novos seguidores. Como uma criança pode seguir o Corinthians se não há ingressos para ela na bilheteria? Pensar nas rendas é preciso sim, claro, até porque os times do Brasil sempre estão passando o pires, mas também é preciso pensar na formação de novos torcedores e na obrigação de atender todas as tribos.

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