Turner descobre como é a briga entre as TVs para as transmissões do futebol no Brasil

Dirigentes importantes foram para trás das grades e alguns ainda estão sendo condenados por trapacear na organização do futebol brasileiro por anos

Robson Morelli

07 de abril de 2020 | 11h01

Nos bastidores da informação de que a Turner ensaia romper seu contrato de transmissão dos jogos do Brasileirão 2020 com os times com quem tem contrato (Palmeiras, Santos, Ceará, Fortaleza, Bahia, Inter, Athletico-PR e Coritiba), a gigante de multimídia dos Estados Unidos, fundada em 1970 por Ted Turner, descobre com é acirrada a briga pelos direitos de mostrar os jogos no futebol brasileiro. Não é de hoje que emissoras tentam entrar no páreo e não conseguem, algumas por falta de estrutura, outras por falta de dinheiro e ainda algumas por falta de profissionais. O futebol exige cada vez mais qualidade e nem todas as TVs conseguem oferecer essa qualidade aos torcedores, principalmente nas TVs pagas. Outro ponto é a disputa com a Rede Globo, que está nisso há anos mostrando o futebol nacional com muita competência. Faz isso com esporte em geral.

No mercado, claro, a Turner talvez não esperasse que a disputa com a Globo fosse tão dura. A empresa do Rio detém os direitos de jogos dos times brasileiros para a transmissão em TV aberta, os canais normais que a gente sintoniza da emissora em nossas casas. Mas também tem um canal fechado, a SporTV, que briga pela fatia de assinaturas do mercado com a Turner. Ora, não seria demais supor que a Globo abriria as imagens das partidas para as praças em que a Turner mostrasse os mesmos jogos em TV paga. Se a Globo mostra de graça, por que o torcedor teria de pagar pelo serviço? Bingo!

Por isso que a Turner tentou proibir seus parceiros de modo a impedir contratualmente que eles liberassem as partidas para a Globo nas suas respectivas cidades. Mas não deu certo. Nada nesse sentido foi feito. Os clubes não entraram nessa discussão com as duas emissoras e se fingiram de morto, como deixando para as TVs resolverem o impasse. Cada vez que a Globo mostrava um jogo da Turner na cidade do time em campo, a audiência da emissora dos EUA despencava em até 85%. Talvez ainda a Turner foi ingênua em acreditar que a briga seria fácil, que os clubes estariam de braços dados contra a maior emissora do País, com quem, inclusive, eles têm outros acordos.

O negócio como foi montado não interessa mais à Turner. Os clubes com quem ela tem contrato também viram na prática que perdem dinheiro, mesmo tendo assinado acordos por cinco temporadas. A Turner é mais uma empresa que pisa no futebol brasileiro e tem problemas com os clubes. Os contratos, mais uma vez, não são respeitados. Essa falta de comprometimento ainda caracteriza o nosso futebol. Nossos dirigentes foram presos de 2015 para cá por falcatruas, propinas, pagamentos ilícitos envolvendo esses tipos de transações.

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