Um dia vamos nos esquecer dos 7 a 1 para a Alemanha. Será?

Um dia vamos nos esquecer dos 7 a 1 para a Alemanha. Será?

Tite é a única coisa boa que aconteceu no futebol brasileiro após o fracasso na Copa de 2014

Robson Morelli

08 de julho de 2017 | 14h03

Hoje, 8 de julho de 2017, faz três anos que a seleção brasileira foi eliminada pela Alemanha da Copa do Mundo de 2014, naquela que foi considerada por muitos críticos e torcedores como a derrota mais vergonhosa da história do time nacional: 7 a 1 dentro do Mineirão, numa semifinal de Mundial que o Brasil organizou. Estava lá com os companheiros do Estadão, liderados pelo Prósperi. Todos nós ficamos incrédulos com tantos gols em tão curto espaço de tempo e sem qualquer reação do time brasileiro. Que surra! Nem a Copa do Mundo de 1950, quando o Brasil deixou o título escapar na final diante do Uruguai, no Maracanã, foi tão terrível.

Como só vivi a derrota de 2014, para mim ela se tornou a mais doída. 1950 fez um vilão, o goleiro Barbosa, que carregou a cruz do fracasso mais do que qualquer outro, injustamente, até sua morte. A derrota de 2014 talvez tenha superado o trauma de 1950. O fato é que a seleção mais vitoriosa do mundo não consegue se dar bem em casa. Nas duas oportunidades, fracassou feio.

A surra diante da Alemanha completa três anos. Não houve um culpado por aquele episódio, principalmente pela forma com que ele aconteceu. A defesa foi mal, mas foram sete gols sofridos. Não houve um vilão só. O time inteiro sucumbiu. Thiago Silva, muito criticado por seu comportamento na competição, choro e partidas ruins, não estava em campo naquele fatídico dia. Foi ele que consolou seus companheiros. Thiago Silva estava suspenso. Bernard, que entrou para atacar os alemães, sumiu do mapa. A alegria de suas pernas desapareceram com todo o futebol brasileiro. Naquele dia, nada deu certo. O meio de campo marcou mal, deu muitos espaços para um rival que parecia um rolo compressor. E justamente pelo meio de campo. Os alemães estavam em todos os lugares, um, dois, às vezes três contra um brasileiro.

Tamanha eficiência e forma de rodar havia visto somente na seleção da Holanda de 1974, dadas as devidas diferenças – ainda vejo os holandeses daquele time mais encantadores. Há quem veja nos alemães de 2014 essa característica. O fato é que o Brasil, do técnico Luiz Felipe Scolari, foi destruído dentro de campo. Meu palpite antes do jogo era vitória do Brasil por 1 a 0. Errei feio. Todos nós erramos. O Brasil fez o seu gol, mas tomou sete. Há quem tenha visto a Alemanha tirar o pé após o segundo tempo, quando já vencia por cinco gols. Que humilhação!

Felipão sofreu com a derrota, quieto em seu canto, com seus familiares e depois com acusações de parte da mídia e de torcedores de modo geral. Esqueceram que ele ganhou o penta em 2002, que no dia 30 de junho completou 15 anos. Havia ainda Parreira na comissão técnica. O fracasso respingou menos em Parreira, que também havia vencido com a seleção o tetra em 1994, depois de 24 anos sem conquistas. Esses dois treinadores comandaram o Brasil naquele dia 8 de julho de 2014. A combinação era perfeita para mais uma taça, a sexta na história da Fifa. Mas ela não veio. Havia um time mais bem preparado e melhor no caminho brasileiro. A Copa toda o Brasil foi mal. Mas se Neymar não tivesse se machucado contra a Colômbia!!!! Nunca saberemos se o resultado seria outro com o craque do Brasil em campo. Acredito que sim.

A derrota e eliminação levaram o futebol brasileiro para o divã. Chegou Dunga no comando é vimos que a CBF não aprendeu nada. Não entendeu nada. Continuou fazendo seu joguinho de favores. A seleção andou para trás sob seu comando, o de Dunga. Marco Polo del Nero ainda é presidente da entidade. Ele não pode deixar o Brasil. É acusado de envolvimento em manobras ilícitas no futebol. O calendário nacional continua sendo ruim. Os clubes são geridos precariamente, sempre com dificuldades financeiras, mas com boas vendas de jogadores anualmente. Não existe transparência em nada. Tudo isso era para ser resolvido após a surra diante da Alemanha. Nada mudou.

A chegada de Tite no lugar de Dunga foi o que de melhor aconteceu no futebol da CBF nos últimos anos. Ele resgatou o time e a vontade de ver a seleção em ação. Mudou o panorama da equipe, a classificou para a Copa da Rússia e também a colocou como uma das favoritas ao título. De novo. Mas há pés nos chão agora. Fez isso em 11 jogos apenas. Ainda há muito para se fazer pelo futebol brasileiro. Tite é apenas uma pequena parte do que dá certo hoje. A ponta do iceberg. Da água para baixo, nada presta, ou bem pouca coisa presta. Isso só mudará quando as pessoas que comandam o futebol, de entidades a clubes, passando pela arbitragem e todas as outras partes envolvidas, forem trocadas, nascerem de novo, entregarem seus cargos sem apego. Enquanto isso não acontecer, os 7 a 1 serão lembrados.

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