Um duro golpe no torcedor palmeirense

Robson Morelli

25 de novembro de 2010 | 14h08

Esperei para escrever sobre a derrota do Palmeiras porque precisava ouvir os torcedores na rua. Foi o que fiz nessa manhã de quinta-feira. E o sentimento mistura doses de vergonha com revolta. Vergonha por ter perdido uma decisão para um rival desmotivado e já rebaixado, de menor tradição em competições internacionais, dentro de sua própria casa, empurrado por sua torcida, com um elenco mais bem pago que o oponente, assim como uma comissão técnica reconhecida nacionalmente.

E revolta por acusar a falta de brio da maioria de seus jogadores, quase todos sem qualquer envolvimento com a tradição e com a história do clube. Revolta com um treinador que não sabe mais jogar com o regulamento debaixo do braço, que demora para mexer na equipe, que não confia em seus jogadores e que ainda acha ser o mesmo de 1999, 2000, 2002. Felipão perdeu a mão.

O elenco do Palmeiras também é medíocre, fraco, muitos desses jogadores não têm a menor condição de vestir a camisa do time, o que dizer então de disputar uma decisão? E os jogadores mais confiáveis negaram fogo, como Kleber. O elenco é como qualquer outro do Brasil, com algumas partidas mais ou menos boas e outros de razoável para ruim. O que falta é brio, vontade, raça, disposição, comprometimento. O time amarelou.

Acaba o jogo é o atleta já fala no futuro. Ouvindo entrevistas de alguns jogadores e do próprio Felipão, todos sabiam o que aconteceu. Deola chegou a dizer que o Goiás foi surpreendente. Ora. Como um atleta pode pensar assim de um rival numa decisão. E olha que Deola é um dos melhores da equipe. Nascido no clube.

A diretoria tem boa parcela de culpa também em tudo o que está acontecendo com o Palmeiras: falta de bons jogadores, contratações erradas, salários altos e mal empregados, treinador perdido. O Palmeiras é um colcha de retalhões em sua administração. Cada um corre para um lado. É dirigente querendo derrubar dirigente. Ninguém se ajuda. Todos se atrapalham. Belluzzo, Palaia e tantos mais estão perdidos.

 A diretoria de futebol é fraca, não sabe para onde caminhar. Aceita tudo. E tudo isso reflete no desempenho do time.

O torcedor agora espera para ver o que vai acontecer na partida contra o Fluminense, domingo, decisiva para o rival Corinthians no Campeonato Brasileiro. O palmeirense não aceita de jeito nenhum que o time, agora, jogue para derrotar o tricolor carioca e assim dê uma mãozinha ao adversário do Parque São Jorge. Seria o golpe derradeiro de um elenco e comissão técnica desprezados (momentaneamente) pela torcida.

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