Um primeiro passo para times mistos de futebol foi dado nesta semana na Holanda

Um primeiro passo para times mistos de futebol foi dado nesta semana na Holanda

Uma garota de 19 anos foi autorizada a jogar com os meninos na 9ª divisão, abrindo brecha para a ideia crescer no país em torneios mais relevantes

Robson Morelli

05 de agosto de 2020 | 09h22

O primeiro passo foi dado para ter times mistos de futebol. Por enquanto somente na Holanda e em categorias amadoras, com crianças e adolescentes. Foi dessa maneira que a garota Ellen Fokkema, de 19 anos, conseguiu o direito de participar de campeonatos oficiais ao lado de seus amigos do sexo masculino. A Federação Holandesa de Futebol vai acompanhar de perto essa experiência, já pensando num futuro em que, talvez, homens e mulheres possam jogar futebol juntos. Digo futebol competitivo, porque isso já acontece em muitas escolas, condomínios e times amadores, como a equipe mista na periferia de Paris (na foto) chamada FC Fleury 91.

É um caminho longo até bater na porta Fifa. Mesmo depois de a discussão entrar na entidade máxima do futebol, não será fácil convencer seus falcões a mudar as regras. Quem faz as regras do futebol é a International Board, que se reúne regularmente para sugerir e aprovar novas formas do jogo. A mais nova delas diz respeito à utilização de cinco trocas nas partidas por causa da pandemia e da possibilidade de ser expulso se tossir no companheiro de campo, caso o juiz entenda que houve sacanagem em meio à covid-19.

O tema de times mistos não é novo. A Fifa vai e vem sobre esse assunto quando acionada. As federações de futebol espalhadas pelo mundo, associadas à Fifa, têm leis próprias em seus campeonatos e poderiam implementar o time misto como faz a Holanda. Até hoje, nenhum país avançou nesse sentido.

Há uma discussão recorrente sobre o porte físico dentro de campo de homens e mulheres. O biotipo masculino leva vantagem. Ou levaria. Imagine uma disputa de bola entre Felipe Melo e uma mulher? Esse tema deve fazer parte de qualquer discussão nesse sentido. Crianças e adolescentes dos dois sexos são mais parecidos fisicamente, mas chega um idade nesse processo de crescimento que os meninos espicham e se tornam mais fortes. Não são todos. Neymar, por exemplo, é um jogador “raquítico”, que se impõe pela técnica e habilidade.

E há ainda toda a constituição corporal feminina, como respiração, velocidade e força. O tema é complexo. Os números de outras modalidades em que o esporte é praticado separadamente, como tênis e atletismo, por exemplo, apontam diferenças nas marcas obtidas por homens e mulheres. No tênis, o jogo é mais lento. No atletismo, as mulheres precisam de mais segundos para correr a mesma distância dos homens. Que fique claro, no entanto, que isso pode mudar de atleta para atleta. Tudo parece aberto nesse momento no mundo. Daí a intenção da Federação holandesa de unir uma garota de 19 anos ao time masculino. E ver o que dá.

O fato é que o tema está na mesa. Haverá pessoas importantes defendendo cada um dos lados sem, necessariamente, estarem certas ou erradas. Existe ainda uma terceira via, que é organizar campeonatos mistos, sem detrimento das disputas femininas e masculinas já existentes. Os clubes poderiam muito bem formar equipes mistas e as federações poderiam muito bem organizar torneios de uma nova modalidade do futebol.

Tudo o que sabemos sobre:

futebolfutebol misto

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: