Um time não pode ter medo de sua própria torcida, como ocorreu com o Palmeiras

Meia dúzia de imbecis não vão estragar o futebol de São Paulo. Por essas e outras que os clássicos têm torcida única, que os treinos são fechados, quer os jogadores ficam sempre com o pé atrás. Mas é preciso ter coragem para não se render aos vândalos

Robson Morelli

11 de abril de 2019 | 11h01

Vaiar um time após uma partida ruim, é do futebol. Reclamar na arquibancada de um jogo feio, é do futebol. Cobrar um elenco que não está rendendo, é do futebol. Alertar para o perigo de um possível salto alto ou de soberba, achando que vai ganhar sem suar a camisa, é do futebol. Atirar pedra no ônibus do seu próprio time, não é do futebol. Pichar paredes do clube, não é do futebol. Programar emboscada contra os jogadores, não é do futebol.

Meia dúzia de imbecis não vão estragar o futebol de São Paulo, que gostamos e defendemos. Por essas e outras que os clássicos têm torcida única, que os treinos são fechados, quer os jogadores ficam sempre com o pé atrás. Mas é preciso ter coragem para não se render aos vândalos. Encarar a profissão como fizeram os atletas do Palmeiras diante do Barranquilla, sem medo, como disse Felipão. Mas, infelizmente, sem alegria também.

Essas são algumas das diferenças básicas entre torcer e fazer qualquer outra coisa contra seu time num estádio de futebol. Estão errados aqueles que atiraram pedras e objetos contra o ônibus do Palmeiras na chegado ao Allianz Parque. Duvido que isso tenha sido somente pelo futebol. Uma coisa é vaiar uma equipe que não está jogando bem, um jogador em má fase, um técnico que erra a mão em um ou mais jogos, em uma ou outra substituição. Outra coisa é atacar, tocar o terror, quebrar tudo, agredir fisicamente. Orquestrar um ato terrorista como se isso fosse mudar o cenário, fazer o time jogar melhor, ganhar partidas. NÃO FAZ. Isso só atrapalha. O pior de tudo é sofrer esse tipo de ação de sua própria gente, de torcedores que até outro dia estavam aplaudindo. Daí a quase certeza de que não é só pelo futebol.

Não dar entrevista após a vitória sobre o Barranquilla foi um ato compreensível por parte dos atletas do Palmeiras, embora Felipão e o capitão Bruno Henrique estavam lá para explicar as coisas do jogo. Não deixaram de falar para ferrar com a imprensa, com os repórteres que estavam trabalhando e que também são apontados por parte dos torcedores como culpados por tudo de ruim do seu time, mas sim para não usar a mídia para chegar aos seguidores do clube. Eles não mereciam o gesto, e mereceram o silêncio. Por isso, é preciso ter cuidado nesse relacionamento. Qualquer palavra mal empregada pode atiçar os que sempre querem brigar. Isso vale para todos, inclusive para a diretoria, que comprou uma briga sem sentido com a FPF e agora não sabe como cessar o fogo. No futebol não se pode tudo. É preciso rever esse comportamento e esse sentimento. É preciso ensinar, educar e punir, se for o caso. Essa geração está perdida, mas os pais que levam seus filhos aos estádios, como eu, ainda têm tempo para ensiná-los o que pode e o que não pode fazer dentro de uma arena. Vaia pode. Aplaudir pode. Esbravejar pode. Atirar coisas ao campo não pode. Estragar o local não pode. O fato é que sabemos de tudo isso, mas nem todos escolhem o correto.

A intolerância toma conta de todos nesse momento no País, seja no esporte, na política, nas discussões qualquer. Ganhar ou perder é do jogo e sempre foi. Brigar não é do jogo. Criticar faz parte. Bater, não. Portanto, é preciso rever nossos comportamentos odiosos. Gostei muito da entrevista de Felipão após a partida. Ele fez muita força para manter a tranquilidade, o foco, a calma, o prazer no seu trabalho. E é assim que deveria ser mesmo. O futebol é muito, mas muito importante no Brasil, ainda assim é só futebol.

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