Uma boa foto e faro de repórter: combinação imbatível no jornalismo

Robson Morelli

28 de agosto de 2013 | 14h08

Com toda a parafernália que envolve o noticiário hoje, uma conquista sem volta da internet, a boa reportagem continua se rendendo à combinação de fatores há muito explorados no jornalismo. A prova mais recente disso pode ser conferida nas edições de terça-feira e quarta do Estadão, em reportagens assinadas por Raphael Ramos, com fotos de Dida Sampaio e Ed Ferreira. Refiro-me à história da briga de torcedores de Corinthians e Vasco na partida de domingo no Estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Raphael Ramos, repórter dos bons, com faro de perdigueiro para a notícia, sacou, numa conversa na redação com Marcius Azevedo, chefe de reportagem, que alguns daqueles corintianos vistos em imagens de tevê e nas fotos de Dida pudessem ser um dos DETIDOS de Oruro, na Bolívia, após a morte do menor Kevin Espada, atingido por um sinalizador na Libertadores de 2013. Como Raphael esteve em Oruro, seria fácil para ele reconhecer os personagens só de olhar para as fotos. Foi o que fez. Debruçou-se sobre dezenas de fotografias para achar pelo menos um dos 12 presos na cidade boliviana.

E achou. Leandro Silva de Oliveira, que ficou de fevereiro a agosto preso numa prisão em Oruro, parece não ter aprendido nada no xadrez. Nem bem retornou ao Brasil, lá estava o corintiano da Gaviões dando chutes e pontapés em quem se colocasse à sua frente, fossem vascaínos ou policiais. A cada chute seu no Mané Garrincha, um tapa de pelica era sentido na cara dos que defenderam esses arruaceiros do Corinthians na Bolívia. Personalidades, inclusive o presidente do Corinthians, Mário Gobbi, posicionaram-se à favor desses torcedores como se fossem mártires de um Brasil mal-tratado pelas autoridades do país vizinho, quando na verdade, eram o que são: briguentos incorrigíveis, valentões do futebol.

Graças mais uma vez ao jornalismo dos fatos, das constatações, da checagem e, sobretudo, da desconfiança, o corintiano brigão pôde ser desmascarado, em com ele toda a base que o sustenta. Antero Greco, colunista e blogueiro do Estadão, e comentariasta de ESPN Brasil, queria saber como um torcedor consegue se bancar com viagens para acompanhar o time, quando a  maioria dos trabalhadores brasileiros mal consegue colocar arroz e feijão no prato dos filhos.

Nesta quarta, outro corintiano de Oruro foi identificado pela reportagem do Estadão na briga de Brasília: Cleuter Barreto Barros, sócio da Gaviões da Fiel.

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