Uniformizados se valem do ditado ‘Olho por Olho, Dente por Dente’

Robson Morelli

26 de fevereiro de 2014 | 14h16

No mesmo dia em que o torcedor santista Márcio Barreto de Toledo foi enterrado, membros da Torcida Jovem prometeram dar o troco em são-paulinos quando eles desceram para a Vila Belmiro. Isso já pode acontecer nas fases decisivas do Paulistão, portanto, quando o sangue derramado do companheiro ainda estiver quente. Trata-se de uma guerra estúpida e sem fim. Dente por dente. Olho por olho. As brigas e mortes provocam outras brigas e mais mortes e assim o futebol brasileiro vai morrendo. Os são-paulinos foram prometidos nas redes sociais. Esses bandos se valem de ferramentas novas de comunicação para deflagrar pensamentos e ações da idade da pedra, quando o homem resolvia seus problemas no braço.

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A intervenção de Brasília se faz necessária. Vi Dilma Roussef se manifestar pelo Twitter sobre uma camisa da Adidas alusiva à exploração sexual no Brasil durante a Copa, o que é legítimo,  mas não vi a presidente condenar e propor mecanismos legais para coibir de uma vez por todas a intolerância desses fanáticos que se denominam torcedores organizados. A Polícia, notificada pela reportagem do Estado sobre a promessa dos santistas de novas brigas, não tinha resposta nem solulão para isso até o fechamento desse texto. Pior. Não tinham sequer pistas dos são-paulinos que mataram covardemente com barras de ferro o rival do Santos enquanto ele esperava por uma condução pública.

É difícil explicar para nossos amigos estrangeiros que estão de malas prontas para cobrir a Copa do Mundo, por exemplo, que esse tipo de violência ainda acontece no futebol. De modo geral, a Europa conseguiu resolver o problema com punições duras para os briguentos e para os clubes que esses briguentos defendem. Aqui, só ironias. Também no mesmo dia em que o santista foi enterrado vítima dessas barbáries, torcedores do Corinthians recebiam a informação de que não estavam mais suspensos pela Conmebol para acompanhar o time em jogos organizados pela entidade. A Confederação Sul-Americana de Futebol havia punido os corintianos por causa da morte do garoto Kevin Spada. Se o time estivesse na Libertadores, portões abertos para os 12 de Oruro, como ficou conhecido o grupo detido na Bolívia. Essa impunidade faz com que esses fanáticos continuem matando em nome da honra da bandeira ou sabe lá do quê do seu time do coração.

Daí a necessidade de intervenção superior. Se a Polícia nada pode fazer, assim como as federações esportivas, como CBF e FPF, que o governo faça então. Já deu! Ninguém no futebol suporta mais essa violência. De nada resolve medidas rasas que apenas empurram para debaixo do tapete por determinado tempo, até que tudo seja abafado, a sujeira dessa gente. É preciso que todos os envolvidos trabalhem juntos para acabar com esse mal que assombra o futebol. Polícia, clubes, dirigentes, promotores, governo, federações, todos devem remar para o mesmo lado, o lado da paz. Se isso não acontecer, Márcio Barreto de Toledo e todos os outros torcedores terão morrido em vão.

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