Vadão deixa o legado de que se pode trabalhar no futebol sem cara amarrada e fazendo amigos

Vadão deixa o legado de que se pode trabalhar no futebol sem cara amarrada e fazendo amigos

Treinador esteve à frente de grandes times e projetos e nunca perdeu o respeito por quem quer que fosse no esporte

Robson Morelli

26 de maio de 2020 | 11h00

Os feitos de Vadão no futebol são muitos. Ele nos deixou nesta semana cedo de mais, aos 63 anos, e ainda com muita coisa que poderia fazer no esporte que escolheu. Seu trabalho em clubes do Interior e Capital será sempre lembrado. O “Carrossel Caipira” no comando do Mogi Mirim também. Como um treinador brasileiro conseguiu fazer um time do Interior jogar como a poderosa Holanda de 1974, que não ganhou a Copa, mas encantou o mundo? Vadão conseguiu. Revelou Rivaldo, um dos melhores jogadores do Brasil e do Barcelona, também do mundo em eleição da Fifa, quando os brasileiros estavam sempre competindo com chances reais de ganhar. Eram outros tempos.

Mas foi no seu trabalho do dia a dia à beira do gramado e dentro de campo que Vadão deixou seu maior legado: o respeito pelas pessoas, amigos ou não, jornalistas, torcedores, atletas, árbitros, dirigentes… O treinador nunca trabalhou de cara amarrada, nem mesmo quando pressionado, à beira das demissões quando as coisas não iam bem. Seu trabalho na seleção brasileira feminina de futebol pode ser testemunho dessa condição, com as derrotas e, apesar delas, uma campanha digna no Mundial da França.

Vadão sempre foi um cara bacana. Era assim quando estava no Mogi, por vezes atendendo pessoas do futebol em sua própria casa, que ficava atrás do estádio, mas também quando comandava clubes, como o São Paulo, em que a pressão era bem maior. Suas broncas e caras fechadas existiam, claro, mas não eram vistas por quem não precisam ver. Tratou a todos com respeito.

Diz a lenda, em informação confirmada pela repórter Valéria Zukeran, com quem cobri os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, que Vadão foi tão grato ao repórter Brasil de Oliveira, um dos primeiros a contar sua história como treinador no Mogi Mirim, que ele ajudou a cuidar de sua mãe quando o jornalista morreu precocemente. Vadão era assim mesmo. Ele deixa mulher e filhos. E será enterrado em sua cidade natal, em Monte Azul Paulista, Interior do Estado, onde tudo começou para ele.

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