VAR, o árbitro de vídeo, precisa ser implementado no Brasileirão urgentemente

VAR, o árbitro de vídeo, precisa ser implementado no Brasileirão urgentemente

CBF e clubes alegam não ter dinheiro para isso. Nossos árbitros e bandeiras são ruins e agora começam a ter a honestidade questionada

Robson Morelli

01 Outubro 2018 | 10h23

Admito isso com dor no coração, mas o VAR, o árbitro de vídeo, é a única solução em curto espaço de tempo capaz de reduzir as lambanças dos nossos árbitros. Digo dor no coração porque sempre fui um defensor da necessidade de se trabalhar melhor a formação dos árbitros. Sempre acreditei que eles pudessem ser melhores do que são. Mas, nesse momento, jogo a toalha. A nossa arbitragem é fraca, incompetente, autoritária e de pouca inteligência. Os bandeirinhas são omissos, cordeirinhos do campo, incapazes de ajudar durante os 90 minutos. Não possuem voz ativa no trio, deixam tudo para o árbitro principal e se escondem das decisões. São uns fracos. Dewson da Silva (na foto) apitou o jogo do Palmeiras com o Cruzeiro no Pacaembu. Ele deu pênalti para o time mineiro em mão fora da área. Bem fora.

Ocorre que o VAR tem custo, e esse custo (cerca de R$ 30 mil por partida) ninguém quer assumir. Os clubes rejeitam gastar mais dinheiro com isso e a CBF diz não ter investimento para tanto. São R$ 300 mil por rodada do Campeonato Brasileiro. Não riam. É isso mesmo. Ninguém tem dinheiro ou vontade para mexer no vespeiro.

Mas o VAR não pode ser o único caminho, embora parece. Nossos árbitros, a maioria deles, devem arrumar outra atividade profissional. Nossos bandeirinhas devem entregar o instrumento. Simples assim. A impressão que temos é que a CBF, aliada à Comissão de Arbitragem, pega qualquer um para apitar. Os ex-árbitros que hoje são comentaristas esportivos também precisam deixar de ser coniventes com as lambanças. A maioria é corporativista. Defendem os árbitros porque fazem parte da grupo. Não vão contra o trabalho deles. Um erro.

O resultado disso é esse monte de absurdos cruciais nas partidas, prejudicando times sérios. Começa a se espalhar ainda a dúvida da honestidade dos árbitros e bandeiras, como atestou representante do Atlético-PR, time que perdeu para o Santos na Vila. O dinheiro para o investimento pode sair das próprias rendas dos clubes. Quem leva mais torcedor terá menos problema para pagar. Quem leva menos torcedor ao estádio, poderá ficar à merce desses erros. Isso pode ainda alavancar a presença de torcida nas arenas. Pode ser uma saída. Quem paga? Os mandantes.

Em contrapartida, a CBF pode aumentar as cotas de participação dos times no Campeonato Brasileiro, dividir um pouco o dinheiro das receitas que tem. Ou não tem? Soluções há, basta vontade para mudar. Coragem. A Arbitragem, os clubes e a CBF afundam o futebol brasileiro. Nesse bolo, só se salva o torcedor.