Vítor Pereira tem o elenco e a torcida ao seu lado e, de candidato a não ganhar nada, o Corinthians começa a sonhar

Vítor Pereira tem o elenco e a torcida ao seu lado e, de candidato a não ganhar nada, o Corinthians começa a sonhar

Classificado na Copa do Brasil e líder do Brasileirão e do seu grupo na Libertadores, treinador agora precisa dar novos passos: fazer o time jogar melhor e durante 90 minutos e recuperar ou se livrar dos atletas encostados

Robson Morelli

12 de maio de 2022 | 09h53

Vítor Pereira ganhou a torcida do Corinthians e, pelas declarações de Giuliano após a vitória sobre a Portuguesa do Rio e a classificação para as oitavas de final da Copa do Brasil, também o elenco. Parece haver uma comunhão entre as partes no clube neste momento, e todos nós sabemos que quando isso acontece, o futebol aparece dentro de campo. O time avança com facilidade na competição e lidera o Brasileirão.

Não é pouco para quem no começo da temporada estava listado entre os candidatos a ganhar nada. É cedo para ir além, mas esse elenco, apesar de algumas apresentações fracas, como o segundo tempo da partida desta quarta-feira, mostra-se eficiente, como em outras temporadas e torneios.

Foto: Rodrigo Coca / Ag. Corinthians

Giuliano entendeu que não há titulares e reservas e que todos terão chances de atuar. Não é bem assim. Os melhores jogadores, condicionados fisicamente e recuperados dos desgastes dos jogos, sempre serão as primeiras opções do treinador. Mas ele não reclama e endossa a verdade de que os atletas não aguentam jogar tantas partidas na temporada. Sua aceitação parece ser a aceitação do grupo.

Isso dá ao treinador mais tranquilidade para fazer mudanças pensando em fôlego e intensidade, mas também dá à diretoria a obrigação de trazer mais jogadores ou de contratar atletas de melhor nível. A base ajuda, mas pode não segurar a bronca quando preciso.

Dessa forma, Vítor Pereira começa a entender melhor o futebol brasileiro, os anseios de todos e as necessidades de um time como o Corinthians. O começo de ano tem sido muito generoso com ele, principalmente no que diz respeito aos resultados. Liderar o Brasileirão deixa o torcedor entusiasmado a ponto de levar 35 mil torcedores para uma partida. Avançar na Copa do Brasil também contribui. Tem ainda a Libertadores, que falta pouco para se classificar. No Brasileirão, o time tem quatro vitórias em cinco jogos, um aproveitamento de 80%. Nenhum outro time vive essa condição. Lidera também seu grupo na Libertadores, com sete pontos em quatro jogos. Tem o Boca Juniors nos seus calcanhares, com seis pontos. Seu aproveitamento é de 58%.

Há méritos no trabalho do treinador português, muito bom com as palavras, esclarecedor e didático. Há méritos também em agrupar o elenco em torno de uma ideia, um objetivo. O último a conseguir isso foi Tite, hoje na seleção em busca do hexa. Os jogadores compraram o jeito de trabalhar de Vítor Pereira. Falta muito ainda dentro de campo. Como todos os times, o segundo tempo das partidas tem servido, quando em vantagem, para “descansar”, correr menos e segurar o marcador. Isso é ruim. O torcedor quer ver seu time intenso durante 90 minutos.

Ocorre que a temporada, dentro de um calendário abusivo, não vai permitir muitas mudanças nesse sentido sem cobrar dos jogadores lá na frente. Então, todos vão tentar se segurar quando possível, como fez o Corinthians diante da Portuguesa.

Esse trabalho, no entanto, não pode parar aqui. Vítor Pereira tem o dever de recuperar jogadores encostados, como Luan, e fazer com que todos se envolvam com o time. Se isso não acontecer nos próximos meses, a diretoria deve entrar no jogo e se livrar dos “desnecessários” para trazer novas caras. Antigamente, um elenco durava o ano todo. Agora, ele vive em constante mudança, com a chegada e a partida de jogador. É assim que tem de ser, respeitando as datas para isso e os valores que o clube consegue bancar.

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