Ellis Park, longe de ser um estádio de Copa do Mundo

Estadão

28 de junho de 2010 | 06h59

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Foto: Milton Pazzi Jr.

JOHANNESBURGO – Se há um estádio na África do Sul entre os principais que está longe de ser uma casa digna de Copa do Mundo, esse é o Ellis Park. No centro de Johannesburgo, ele foi escalado para sete jogos neste torneio e o último é nas quartas de final. Após três visitas a ele, não tenho dúvidas: não deveria fazer parte da competição.

O único mérito que ele tem é o de ter sido casa da histórica final do Mundial de rúgbi de 1995, em que a África do Sul foi campeã e o então presidente Nelson Mandela apareceu com a camisa do time (história contada no filme Invictus). Na realidade, parece muito com os estádios brasileiros.

Problemas que me levam a apontá-lo como ruim:

– O acesso é terrível (fica no centro da cidade, ruas apertadas e com direção invertida pelas barreiras – ou seja, até GPS fica perdido), se você não sai cedo (muitas horas antes) não chega a tempo do jogo;

– Não tem espaço para estacionamento, assim, todos sofrem para parar seus carros (é uma briga entre os jornalistas com a Fifa para conseguir uma vaga, e torcedor nem tem essa opção);

– Não tem lugar no centro de mídia para todos os jornalistas que estão aqui. Nem acesso à internet (a sem fio não funciona em lugar algum);

– As arquibancadas tem cadeiras, mas são curtas na largura, ou seja, você pisa no pé e esbarra em todos para poder circular;

– Escadas íngremes e escuras. Corredores, idem;

– É um dos locais mais frios de Johannesburgo. No jogo de estreia do Brasil, contra a Coreia do Norte, a sensação térmica era de graus Celsius negativos;

– A comida é péssima. Ou cachorro-quente (nada quente) ou alguns legumes e uma massa que, na boa, lembram comida de Tiro de Guerra (ou Éxercito – se bobear, lá era melhor);

O que tem de positivo? Resumo em um item: os voluntários. Todos atenciosos e sempre sorridentes, tentando acalmar a irritação geral com os problemas do local. Pode ser só coincidência, mas tem várias mulheres bonitas.

Ao pessoal que vai organizar a Copa do Mundo de 2014 – e ao torcedor – fica o exemplo de que, realmente, não dá para fazer o torneio com o que se tem no Brasil atualmente. Se fizer, fica como o Ellis Park. Péssimo.

PS.: O exemplo positivo é o Moses Mabhida, de Durban. Escrevo em breve sobre ele.

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