A visão de jogo de um gandula na Copa
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A visão de jogo de um gandula na Copa

O cearense João Gabriel Viana viu de pertinho os craques do Brasil contra o México

Seleção Universitária

21 de junho de 2014 | 15h24

O cearense João Gabriel Viana viu de perto os craques do Brasil contra o México

João Gabriel no gramado do Castelão (Divulgação)

 

Lara Monsores – especial para O Estado de S. Paulo

RIO DE JANEIRO – Ele entrou em campo com a seleção brasileira, emocionou-se com o Hino Nacional cantado em coro por toda a torcida, tabelou com os laterais Marcelo e Daniel Alves, ouviu pedidos de “passa a bola” e acompanhou de muito perto todas as defesas de Guillermo Ochoa, que marcaram aquele jogo. João Gabriel Viana, 15, foi um dos 14 gandulas que atuaram na partida realizada na Arena Castelão, na última terça-feira, 17, e sabe cada detalhe do empate em zero a zero entre Brasil e México.

“Foi a realização de um sonho”, comemora. “Porque, além de eu jogar também, tudo o que eu queria ver eram os jogadores do Brasil, os melhores do mundo, estar perto, ver como eles jogam e, se pudesse, até falar com eles.”

Durante os 90 minutos, a função do estudante, cearense de Fortaleza, foi repor as bolas que saíam pelas laterais do campo. A poucos metros dos jogadores, vez ou outra João ouvia o que eles falavam.

“Era sempre quando eles vinham bater um lateral, um escanteio ou quando me pediam a bola”, relembra. “Deu para ouvir os jogadores reclamando com o juiz, dizendo que não foi falta, pedindo para passar a bola, ensaiando jogadas.”

O contato mais próximo e marcante com a seleção brasileira, porém, aconteceu antes de a bola rolar. Ali na saída dos vestiários, no momento em que os jogadores ficam perfilados para subir ao campo, João conta que chegou a falar com alguns dos seus ídolos. “O Julio Cesar acenou e o Dante me cumprimentou”, disse. “Mas, não consegui falar com o Neymar. Ele estava muito longe.”

João não podia dirigir-se aos jogadores, muito menos tirar foto ou pedir a camisa do jogo de presente. Isso teria que vir espontaneamente dos próprios atletas, o que não aconteceu. Ele não tem nenhuma lembrança física do momento. Mas não precisava. Tão perto e, paradoxalmente, tão longe, as retinas e os ouvidos do garoto registraram tudo o que aconteceu naquele dia inesquecível para o menino que sonha ser jogador de futebol, como seu ídolo Neymar.

Concentração. A preparação do gandula para a Copa do Mundo é semelhante à de um jogador. Eles foram selecionados por um dos patrocinadores do Mundial e passaram por um treinamento técnico e teórico, em março deste ano, nas 12 cidades-sede. Um dia antes do jogo, o grupo que fará a partida fica concentrado num hotel onde recebem as últimas instruções e fazem atividades para descontração, como jogos de videogame. Chegam ao estádio cerca de quatro horas antes da partida, fazem uma espécie de reconhecimento do gramado e um aquecimento pré-jogo.

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