Ambulantes seguem a seleção vendendo produtos pelo Brasil
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Ambulantes seguem a seleção vendendo produtos pelo Brasil

Vitor Vill

24 de junho de 2013 | 14h35

Paulistas passam por todas as sedes durante a Copa das Confederações na esperança de uma vida melhor

 

Cleiton, Edson e Gérson viajam pelo Brasil vendendo produtos para a torcida (Vitor Villar/Seleção Universitária)

Vitor Villar – Seleção Universitária – especial para o Estado

SALVADOR – Por onde passar a seleção brasileira durante a Copa das Confederações, lá estará uma figura discreta, mas com muita história para contar. Todo vestido de verde e amarelo, poderia se passar por um simples torcedor. Porém, é mais que isso. Carregando vários produtos nas mãos, ele se confundiria com um ambulante entre tantos, mas não é. O paulistano Gérson de Castro, 41 anos, é vendedor autônomo e está rodando o País vendendo produtos para a torcida, de chapéu a bandeiras do Brasil.

Sua jornada começou no dia 14 de junho. Gérson e mais três amigos, todos ambulantes, saíram de São Paulo de carro em direção à Brasília, para acompanhar a estreia do time de Felipão na Copa das Confederações. Dois dias depois, partiram para Fortaleza, onde foram surpreendidos pela confusão no entorno do Castelão e não conseguiram vender muitos dos seus produtos.

Esperando melhor sorte, o trio chegou a Salvador na sexta-feira, 21, e já está de malas prontas para Belo Horizonte, destino do Brasil nas semifinais. “Vamos até o Rio se a seleção chegar à final”, garante Gérson.

Pegar a estrada já se tornou um hábito para ele. “Estou nessa vida já faz quase dois anos. Meu filho Guilherme fez aniversário no dia 14 e eu não pude estar lá com ele. Essa é minha rotina”, diz o vendedor ambulante, que também tem uma filha, Gleicy. Para ele, encarar a saudade da família é só mais um contratempo. Gérson sofreu um AVC em 2011 e não recebeu nada da empresa onde trabalhava, que faliu. “Foi uma situação difícil”, lamenta o vendedor.

“Era uma terceirizada do aeroporto de Guarulhos. Eu era auxiliar de expedição, trabalhava separando roupas que chegavam. O engraçado é que hoje também trabalho com roupa, só que de forma diferente, acho que é a minha especialidade”, brinca. Recuperado do problema de saúde e com uma nova ocupação, o ambulante sonha em reestabelecer a vida da sua família. “Sinto que essa é a minha oportunidade.”

No balaio de Gérson, é possível encontrar de tudo: bandeiras de todos os tamanhos, gorros nas cores do Brasil, camisas de todos os tipos, chapéus e até uma vuvuzela à moda brasileira. Os preços não são salgados, variando entre R$ 10 e R$ 40.

Quem fornece as mercadorias é o vendedor Marcos Bezerra, de 50 anos, que também é dono do automóvel onde os ambulantes viajam. “Ele fornece todas as mercadorias e a gente repassa parte do lucro para ele”, explica Gérson, que se mostra profundamente agradecido. “Ele apostou em mim, me deu a mão quando ninguém mais queria dar”, explica.

Marcos é autônomo há cinco anos, quando também teve de sair do lugar em que trabalhava. “Era corretor de seguros, mas por causa das mudanças econômicas, as portas foram se fechando para mim e acabei desempregado.”

Completam o grupo Edson Micos, de 35 anos, e Cleiton Pereira, de 27, ambos de São Paulo e com as mesmas dificuldades financeiras dos colegas. “É assim mesmo, a gente tem de correr atrás para ganhar a vida”, diz Cleiton. “Vamos torcer aí para que a seleção seja campeã, porque assim a gente consegue vender mais os nossos produtos pelo País”, acredita Edson.

Distantes de casa, os vendedores pedem para deixar recados para seus familiares, na esperança de que eles vejam a reportagem. “Quero deixar um recado para a minha esposa Rosely, dizer para todo o país que eu a amo muito”, diz Edson Micos. “O recado é para minha mulher Daiana e minha filha Luana, de nove anos: ‘papai tá longe querida, mas eu te amo muito’”, diz Cleiton Pereira. “Quero agradecer minha família pelo apoio e pedir perdão por minhas faltas. Quero mostrar para eles que agora eu vou vencer na vida e voltar um dia para casa”, completa Gérson de Castro.

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