Argentinos viajam 4 dias em trailer para ver jogo em BH
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Argentinos viajam 4 dias em trailer para ver jogo em BH

Quatro amigos percorreram cerca de 4 mil quilômetros, passando por cinco estados, só para ver a seleção

Seleção Universitária

21 de junho de 2014 | 14h26

Quatro amigos percorreram cerca de 4 mil quilômetros, passando por cinco estados, só para ver a seleção

Quatro amigos argentinos vieram de trailer para BH: Marco Baldo (à esquerda), amigo da turma, resolveu vir de avião (Gabriel Gama/Seleção Universitária)

Gabriel Gama – especial para O Estado de S. Paulo

BELO HORIZONTE – O preço e o tempo de uma viagem de avião da cidade de Córdoba, norte da Argentina, até Belo Horizonte, custa cerca de R$ 700 e leva quatro horas – uma hora até a capital Buenos Aires e mais três até BH. Mas se o trajeto for feito de trailer, o tempo gasto chega a ser 24 vezes maior, ainda que o custo diminua pela metade. Foi o que um grupo de quatro amigos argentinos fez para ver Messi e companhia jogar contra o Irã, neste sábado, 21, no Mineirão.

Fazendo as contas, cada um gastou R$ 350 da partida à chegada, para as despesas com gasolina e alimentação.

“É muito esforço. Se eu tivesse dinheiro, certamente, não faria. Mas somos muito fãs da seleção e acreditamos no título”, disse Mariano Passano, o único do grupo que não foi ao jogo vestido com as cores da Argentina. “Minha camisa do Rosário Central está muito suja. Não tivemos como lavar nada”, afirmou, com bom humor.

Pasano e seu companheiros de viagem, os irmãos Gonçalo Sartori e Santiago Sartori e Leandro Consigli, passaram por Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba,  São Paulo e Rio de Janeiro até a chegada ao destino final após quatro dias. Os jovens de 25 a 27 anos dormiam no próprio trailer, já que todo dinheiro guardado era para aproveitar a noite de BH e gastar com combustível e comida.

Pasano foi o único que não tinha conseguido ingresso, mas a 15 minutos do início do jogo, comprou um bilhete na mão de um americano por 300 dólares. “Paguei caro, mas não teve jeito. Não vim aqui à toa”, afirma. O argentino, que não conseguiu férias do trabalho, largou o emprego para vir ao Brasil.

Caminho. Sobre as condições das estradas, Consigli falou sobre a falta de sinalização à noite e a péssima pavimentação da rodovia do Rio de Janeiro até BH. “De Córdoba até o Rio não tivemos problemas com nada. O caminho estava bom. Mas da capital carioca até aqui passamos aperto. As estradas têm pouca iluminação, com muitos buracos e, muitas vezes, perigosas”, disse.

O grupo participou da festa de milhares de argentinos que se reuniram na Praça da Savassi da madrugada de sexta-feira, 20, para sábado. Santiago Sartori, um dos integrantes da turma ficou abismado com os focos de briga que surgiram cerca de 2h, entre brasileiros e hermanos. “Presenciei brigas muito violentas com troca de socos e até garrafadas. Fiquei muito triste. O clima é de festa, confraternização. Não vi sentido nenhum.”

Após o jogo, os amigos têm planos de pegar a estrada até Porto Alegre, onde a Argentina entra em campo contra a Nigéria, na quarta-feira, 25, em duelo válido pela terceira rodada da primeira fase.

Pasano relata que a viagem é muito cansativa, mas diz que o grupo organizou um esquema de revezamento para conduzir a caminhonete que leva o trailer, assim ninguém fica exausto.”Todos os quatro têm licença para dirigir. Achamos melhor fazer desta forma, porque aí não precisamos parar para descansar e a gente perde menos horas de viagem”, explica.

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