Blindada e com mais de três horas de atraso, seleção uruguaia chega ao Brasil
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Blindada e com mais de três horas de atraso, seleção uruguaia chega ao Brasil

Felipe resk

13 de junho de 2013 | 07h44

Felipe Resk – Especial para o Estado

RECIFE – A chegada da seleção uruguaia à capital pernambucana, na madrugada da quarta para quinta-feira, chamou atenção pela quietude. Quando a Celeste desembarcou, os poucos torcedores que foram até o Aeroporto Internacional dos Guararapes já não a aguardavam no saguão. Vencidos pela demora. A princípio, o pouso estava previsto para as 21h30. No entanto, o voo, que partiu da Venezuela e fez escala em Manaus, chegou com mais de três horas de atraso. A Infraero não soube explicar o motivo da mudança de horário.

Ainda assim, de nada adiantaria esperar. Cumprindo o protocolo da Fifa, os atletas e a comissão técnica seguiram da pista de desembarque direto para o ônibus responsável por fazer o translado até o hotel. Sob forte escolta policial. Com estreia agendada para o próximo domingo, diante da Espanha na Arena Pernambuco, os uruguaios ficarão hospedados no bairro de Boa Viagem, zona sul da cidade.

O Uruguai vem de uma sequência desgastante de viagens. Na terça, a Celeste enfrentou a Venezuela pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, antes de embarcar para o Brasil. Por isso, as atividades previstas para a manhã desta quinta-feira foram canceladas. A equipe deve treinar apenas no período da tarde, no estádio do Arruda. O horário ainda não foi definido.

No hotel, da frustração…

Mesmo com a chuva e o início da madrugada jogando contra, cerca de 60 pessoas foram recepcionar a Celeste no Mar Hotel. Entre os persistentes, o uruguaio Rodrigo Amestoy, de 30 anos, cinco deles morando no Recife. A bandeira que carrega – azul e branca, irradiando o sol dourado – não deixa negar: o tempo foi insuficiente para esquecer o país. “Vim ver a seleção para matar a saudade”, confessa, em acelerado portunhol. Pela primeira vez, o autônomo, que adquiriu o ingresso para confronto contra o Taiti, acompanhará uma partida, in loco, do Uruguai em terras brasileiras.

Há sete anos, Rodrigo Amestoy não vê do estádio a seleção uruguaia jogar

A despeito do favoritismo da Espanha e do Brasil, as expectativas de Rodrigo são imodestas. “Todo mundo espera ser campeão. Eu acredito que a gente vá chegar, pelo menos, até as semifinais”, afirma. Entre um cigarro e outro, aguardou por quatro horas a delegação uruguaia. De bom humor. A esperança de fazer um registro fotográfico ou conversar, mesmo que rapidamente, com um jogador é que não se concretizou.

Por volta das 01h45, o ônibus celeste chegou ao hotel. Contudo, assegurada por cinco viaturas da Polícia Militar e uma do Batalhão de Trânsito (BPTran), os atletas utilizaram uma entrada pela lateral, impossibilitando qualquer contato. Para decepção de todos, nada de aceno, parada para foto, ou palavra que fosse. Seja para imprensa ou torcedor.

Ricardo Alves (e) morou em Montevidéu, Durazno, San José, Malvin, La Paz, Sarandi Grande e Chuy, no Uruguai

Quem também estava empolgado para receber a Celeste foi o pernambucano Ricardo Alves, de 32 anos, que, junto com o amigo Ravy Tenório, de 23, fez plantão na porta do hotel desde as 21h30. Por dois anos, ele morou no Uruguai, por quem diz ter “um carinho especial”. “O povo é bastante receptivo e ama os brasileiros”, defende. Com a hora avançada, Ricardo não sabia como ia voltar para casa, mas a recompensa, em tese, valia o esforço. “Eu quero, no mínimo, três autógrafos”, planejou. Não deu. Nem começou a Copa das Confederações, e o primeiro drible uruguaio já saiu. Desta vez, sem aprovação da torcida.

… à alegria

Alexandre Tiago esperou quatro horas para realizar apresentação de poucos minutos

Apesar de blindar a interação com os torcedores, a Fifa convidou a Quadrilha Dona Matuta, grupo pernambucano de dança típica das festas juninas, para receber a seleção no hall do hotel. Dançarino há 12 anos, Alexandre Tiago, de 29, não gosta de futebol e nem soube citar o nome de algum dos seus famosos espectadores. Um detalhe menor, diante da alegria de ter sido bem recepcionado pelos uruguaios. “Todos foram muito educados. Assistiram à apresentação, aplaudiram e até pararam para tirar foto”, comentou, antes de completar. “Ganhei minha noite”.

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