Blindagem da seleção frustra torcedores na chegada a Belo Horizonte
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Blindagem da seleção frustra torcedores na chegada a Belo Horizonte

Guilherme Faria

24 de junho de 2013 | 16h00

Forte esquema de segurança afastou fãs dos seus jogadores preferidos

 

Fãs esperam chegada de Neymar

Neymar era o jogador mais aguardado (Guilherme Faria/Seleção Universitária)

Guilherme Faria – Seleção Universitária – Especial para o Estado

BELO HORIZONTE – Desde a manhã do domingo, 23, fãs de jogadores da seleção brasileira já ocupavam a entrada do Hotel Ouro Minas, mesmo cientes que seus ídolos chegariam na capital mineira somente à noite . Buscando principalmente Neymar e Bernard, o grupo formado em sua maioria por adolescentes levava cartazes e camisas para tentar chamar a atenção dos atletas.

Fã de Neymar desde 2009, ano em que o jogador começou a aparecer na equipe profissional do Santos, Bárbara Cristina chegou às 15h no local para recepcionar o atacante. “Todas as vezes que ele vem a Belo Horizonte eu vou atrás, seja na época em que ele jogava no Santos ou quando ele representa a seleção”, afirmou a torcedora do Atlético Mineiro, confessando que ficava com o coração dividido quando Neymar jogava contra a equipe pela qual torce desde pequena.

Bárbara contou que foi tratada com truculência por seguranças do Santos quando tentou se aproximar do ídolo em outras ocasiões. Em novembro do ano passado, quando a delegação santista desembarcou no Aeroporto de Confins para a partida contra o Cruzeiro a adolescente diz que Neymar já havia concordado em tirar foto com ela, mas, no momento da aproximação, o guarda-costas do clube a empurrou e ela não pôde realizar seu sonho.

E foi juntamente com outras garotas que conheceu nas vindas do astro a Belo Horizonte, que Bárbara fundou o fã-clube “Neymarníacas”. O grupo fez barulho durante a espera pela chegada da Seleção Brasileira, entoando cânticos que diziam que o camisa 10 da Seleção Brasileira é o melhor jogador do mundo e que reafirmavam o orgulho das adolescentes de serem ‘neymarzetes’.

Outro jogador que também era bastante esperado é o meia Bernard, natural de Belo Horizonte e um dos principais nomes do Atlético Mineiro. Há um ano seguindo o atleta mais jovem da equipe de Felipão, Chrystiane Ferreira conta certa vez já esteve perto de ir à casa do jogador. “Descobri o endereço dele e já estava me preparando para ir onde ele mora, mas na hora de sair de casa pensei melhor e vi que já era demais”, diz a jovem.

Chrystiane ainda revela que em sua própria casa há alguém que idolatra ainda mais o atleta. Sua irmã Tainá tem a mesma tatuagem que ele fez no braço direito e conseguiu entrar nas dependências do hotel, já que o pai das garotas é funcionário do estabelecimento.

Fã fez tatuagem igual a do meia Bernard (Guilherme Faria/Seleção Universitária)

Em meio aos que aguardavam a chegada dos jogadores, ainda havia uma fã de David Luiz. “Acompanho há muito tempo o futebol europeu, e desde a época em que ele jogava no Benfica, o David me chama atenção pelo estilo e pelo carisma”, disse a estudante, que também ressaltou a humildade como característica marcante do zagueiro.

Após ter se comunicado com o jogador do Chelsea no Twitter, cerca de quatro horas antes da chegada da Seleção Brasileira em Belo Horizonte, Luana estava ansiosa para ter contato mais próximo com o defensor.


Decepção

Às 19h30, toda a empolgação de horas antes das cerca de 200 pessoas que aguardavam o desembarque dos jogadores na entrada principal do hotel desapareceu. O forte esquema de segurança fez com que a delegação desembarcasse em uma porta alternativa, fato que surpreendeu todos os presentes no local.

Fãs e jornalistas correram para tentar aproximar-se dos atletas, mas ficaram isolados por uma barreira policial. Com isso, o público se limitou a ver os jogadores acenando de longe, o que levou várias das fãs ao choro.

Torcedores veem seleção de longe

Torcedores não puderam se aproximar de ônibus da seleção (Guilherme Faria/Seleção Universitária)

“Hoje é aniversário da minha irmã e a deixei em casa para ver o David. O pessoal da segurança deveria pensar mais em nós, que abandonamos compromissos para vir aqui ver os jogadores”, desabafou Luana, aos prantos.

Bárbara teve mais uma frustração na sexta vez que tentou chegar perto de Neymar. “Isso é normal aqui em Minas. Parece que os jogadores não gostam da gente”, reclamou. Porém, a adolescente afirmou que não vai desistir da luta para conseguir uma foto com o ídolo.

Infiltrada no hotel, Tainá foi uma das poucas pessoas que se aproximou minimamente dos jogadores. “Estava lá dentro e vi o Bernard passando perto de mim. Meu pai teve que segurar minha boca para eu não gritar”, disse a garota, que se viu impedida de conseguir um autógrafo do meia.

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