Brasil está classificado para disputar a final no Maracanã
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Brasil está classificado para disputar a final no Maracanã

Daniel Batista

26 de junho de 2013 | 17h16

Torcedores saíram mais cedo para evitar problemas com a manifestação que acontece no dia da disputa da semifinal, na capital mineira

 

Jogadores comemoram pênalti defendido pelo goleiro Júlio César, eleito pela Fifa o melhor da partida (José Patrício/Estadão)

Guilherme Faria e Victor Costa – Seleção Universitária – especial para o Estado

BELO HORIZONTE, SÃO PAULO – Após um jogo apertado, a seleção brasileira venceu o Uruguai por 2 x 1 e está classificada para disputar a final da Copa das Confederações no próximo domingo, 30, no Maracanã. Diante de um Mineirão lotado, ambas as equipes duelaram bravamente até o fim da partida.

Durante quase todo o primeiro tempo, o grande número de passes errados impediu a evolução de ataques mais contundentes. A primeira boa oportunidade apareceu somente aos 13 minutos, quando, após cobrança de escanteio, Lugano foi agarrado por David Luiz e o árbitro chileno Enrique Osses marcou a penalidade. Diego Forlán foi para a cobrança e Júlio César defendeu, no canto esquerdo.

Sem muita organização, a primeira chegada do Brasil aconteceu aos 16 minutos, quando o meia Oscar chutou de fora da área, mas a bola passou acima da meta de Muslera. Quando a partida parecia se encaminhar para o empate sem gols na primeira etapa, o meia Oscar fez um ótimo lançamento para Neymar, que recebeu na esquerda e tocou na saída de Muslera, que chegou a tocar na bola. A sobra ficou com Fred, que tocou no canto esquerdo da meta uruguaia, aos 40 minutos, para fazer 1 a 0.

Mal havia começado o segundo tempo e, aos 2 minutos, Cavani aproveitou uma falha na defesa brasileira dentro da grande área e marcou para o Uruguai. Com a igualdade no placar, o Brasil chegou mais vezes ao ataque. Erros de passe e finalização fizeram com que o técnico Felipão optasse por mudar a equipe. Aos 19 minutos da segunda etapa, então, Hulk deu lugar ao mineiro Bernard no ataque brasileiro.

A mudança foi positiva e o Brasil passou a ser mais assertivo em seus ataques. Quando não estava próximo do gol uruguaio, manteve a posse da bola, impedindo ataques perigosos do adversário.

Após uma sequência de escanteios mal aproveitados, Neymar colocou a bola na cabeça do volante Paulinho, que subiu para fazer seu segundo gol na competição, aos 41 minutos, o da classificação brasileira para a final. Os minutos finais foram de pressão total do Uruguai, com o goleiro Muslera subindo ao ataque. Mas foi em vão, a vaga estava garantida para o Brasil.


Entorno do estádio

Por conta dos problemas no trânsito que ocorreram nos outros dias em que houve jogos do torneio na cidade, a prefeitura de Belo Horizonte decretou feriado municipal nesta quarta-feira, 26. Assim, o público teve a oportunidade de se deslocar mais cedo para o estádio, em dia que ocorreu mais uma manifestação na capital mineira.

Desde o meio-dia já havia movimento intenso nos terminais dos ônibus disponibilizados gratuitamente para quem tinha ingresso, em diversos pontos na cidade. No ponto da Savassi, na Região Centro-Sul, havia uma grande fila. André Souza, analista de sistemas que veio do Rio de Janeiro para a partida, reclamou da má orientação dos voluntários. “Esse aglomerado de pessoas foi formado porque a maioria das pessoas não sabia que havia uma fila para quem quer ir sentado nos ônibus e outra para quem vai viajar em pé”, afirmou.

Mesmo com esse problema, a maioria dos torcedores que usou esse ônibus e as linhas normais de transporte público conseguiu chegar rapidamente à Pampulha. Quem veio de carro também não enfrentou trânsito e conseguiu estacionar com facilidade.


Torcedores entram cedo

Os portões do estádio foram abertos ao meio-dia, uma hora antes das outras partidas, devido ao transtorno que as manifestações poderiam causar à chegada do público. Assim, os espectadores entraram com antecedência e quase todos os lugares do Mineirão já haviam sido ocupados 30 minutos antes do jogo.


Problemas

Com a grande concentração de torcedores no estádio desde cedo, o serviço de telefonia celular ficou comprometido. Assim como vários torcedores, o empresário Felipe Vidal teve dificuldade de se comunicar com seus amigos. “Preciso encontrá-los o mais cedo possível, já que eles estão com o meu ingresso e só faltam vinte minutos para o jogo”, disse.

Já Antônio Fernandes, turista de São Paulo, enfrentou problema mais grave, já que teve seu ingresso roubado perto da entrada do estádio. “Parei para tirar uma foto do meu amigo, e quando me de dei conta, o bolso de trás da minha calça estava sem meu ingresso”, conta o engenheiro, que suspeita de três rapazes que passaram ao seu lado quando tinha a câmera nas mãos. 

 

Manifestações

Como ocorreu nas outras partidas disputadas na cidade, a população de Belo Horizonte saiu às ruas em mais uma passeata. Concentrados desde o meio-dia na Praça Sete, no Centro da capital, a maioria dos 40 mil manifestantes marchou pela Avenida Antônio Carlos até a região do Mineirão.

Ao contrário das outras marchas, que foram até o cruzamento da via com a Avenida Abraão Caram, o movimento se dividiu. Alguns permaneceram na Praça Sete, outros seguiram até a Lagoa da Pampulha – a poucos metros do estádio – e outros seguiram o mesmo trajeto dos outros dias.

Confrontos entre a Polícia e os manifestantes foram registrados nas proximidades da área de isolamento do Mineirão delimitada pela Fifa. Pelo menos 18 pessoas ficaram feridas e 40 foram presos, segundo a Polícia Militar.

Concessionárias e lojas que se localizam nas redondezas do local mais intenso dos conflitos sofreram grandes perdas em seu patrimônio.  Veículos foram retirados de uma loja de motocicletas, garrafas foram sacadas de uma barraca de bebidas e utilizadas como armas e uma concessionária foi queimada.

Alterações nos trajetos de saída do estádio foram feitos pela BHTrans – empresa que controla o transporte na cidade -, para evitar o contato do público que compareceu à partida com as áreas onde o protesto era mais intenso. O tráfego de veículos foi interrompido nas avenidas Antônio Carlos, Abrahão Caram, Otacílio Negrão de Lima e Santa Rosa, importantes acessos ao estádio.

Assim, a Avenida Carlos Luz recebeu movimentação intensa nas horas seguintes à semifinal, já que muitos torcedores foram direcionados à via para deixar o palco da vitória da seleção brasileira. Além da lentidão na saída da esplanada que ronda o Mineirão, os pontos de ônibus localizados na via ficaram superlotadas, o que formou longas filas para a entrada nos coletivos.


Em São Paulo, nem o frio espanta a animada torcida

Milhares de paulistanos se reuniram no centro de São Paulo na tarde desta quarta feira, 26. E dessa vez não foi para fazer protestos. O Concentra SP, no Vale do Anhangabaú estava lotado para assistir ao jogo da seleção brasileira.

O clima antes do jogo era de muito otimismo. Os animados e fantasiados torcedores nem cogitavam uma derrota do Brasil. “Vai ser 3 a 0 para a gente”, falou Renan Almeida, de 19 anos.

E não foi só a partida que fez os paulistanos saírem de casa no frio. A banda Jeito Moleque também causava empolgação. “Vim para ver o jogo e o show”, disse o torcedor Alan Tavares.

Durante o intervalo, o lado treinador dos torcedores começou a aparecer. “Foi bom, mas tem que melhorar. Se continuar assim, não vai dar. O que o David Luiz fez foi palhaçada, não se comete um pênalti daquele”, disse Sebastião Simão. Ele ainda deu a receita para Felipão. “Tem que tirar o Hulk, ele não está jogando bem. Coloca o Lucas que o Brasil vai melhorar e fazer mais três gols”, completou o segurança de 58 anos.

Não demorou muito para a previsão cair. Logo aos 2 minutos do segundo tempo, Cavani deu fim ao palpite de Sebastião. Quando Bernard foi chamado, os paulistanos vibraram junto com o público do Mineirão. E se o menino melhorou o time, também ajudou a esquentar a torcida. Mas foi com o gol de Paulinho que o Anhangabaú explodiu de alegria. Vitória do Brasil, fim de jogo, mas não fim da festa. O público feliz da vida continuou para assistir ao show do grupo Jeito Moleque.

 

(Com colaboração de Renato Machado e Vanderson Pimentel)

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