Brasília espera pelos Jogos Escolares
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Brasília espera pelos Jogos Escolares

Lucas Vidigal

30 de junho de 2013 | 17h08

Fora dos holofotes da Copa do Mundo, cidade vai receber 2,5 mil crianças e adolescentes de 27 países em novembro; capital perdeu direito de sediar os Jogos Universitários de 2017

 

João Pedro Oliveira treina pesado para competir na Gymnasíade (Lucas Vidigal/Seleção Universitária)

João Bosco Lacerda e Lucas Vidigal — Seleção Universitária — especial para o Estado

BRASÍLIA – A cidade que recebeu a abertura da Copa das Confederações é celeiro de atletas. Além dos craques Lúcio e Kaká, pentacampeões com o Brasil em 2002, Brasília também revelou astros do esporte como Joaquim Cruz, ouro em Los Angeles (1984) nos 800 metros, e a jogadora de vôlei Leila, quatro vezes campeã do Gran Prix. Antes de sediar a Copa do Mundo, a capital do Brasil vai ser casa dos Jogos Mundiais Escolares – a Gymnasíade –, marcados entre os dias 28 de novembro e 4 de dezembro.

Até o fim de junho, 27 delegações já confirmaram presença na competição. Serão apenas oito modalidades: atletismo, caratê, judô, natação, xadrez, além das ginásticas artística, rítmica e acrobática. A expectativa da Confederação Brasileira de Desporto Escolar é que 2,5 mil jovens que cursem até a oitava série participem do evento.

 

Logo homenageia a nova Torre de TV Digital (Divulgação)

O jovem ginasta João Pedro Oliveira, 15 anos, é o brasiliense mais esperado para competir na Gymnasíade. Morador do Paranoá, subúrbio a 10 quilômetros do centro de Brasília, ele acorda às 5h30 todos os dias para ir à escola, na Asa Sul, e, depois, treinar cinco horas por dia. “Comecei quando tinha cinco anos. Minha família viu no esporte a chance de me tirar dos perigos da rua”, conta o atleta, fã de Arthur Zanetti, ouro em Londres (2012).

João Pedro treina no colégio Setor Leste, da Secretaria de Educação do Distrito Federal. A rotina é pesada: o jovem treina todos os aparelhos da ginástica artística. Com esforço, conseguiu grandes resultados. Foi campeão sul-americano infantil, no ano passado. Para conseguir se classificar para a Gymnasíade, João Pedro precisará se superar. “Estou confiante para entrar na seleção brasileira, mas é a primeira vez que estou na categoria juvenil. Então, é novidade”, comenta.

O técnico de João Pedro, Carlos Augusto Bezerra, é só elogios ao aluno. “Ele tem muita dedicação e trabalha para ser um grande ginasta”, diz. Otimista, o técnico vê um futuro dourado para o Brasil. “Pode não ser até 2016, mas o momento é positivo para a ginástica masculina brasileira.”

Porém, a capital que pretende revelar novos ídolos do esporte tem problemas estruturais primários. “Falta aparelhos de qualidade similar aos utilizados nas grandes competições”, lamenta Bezerra.

João Pedro, se conseguir classificação para a Gymnasíade, vai competir no Ginásio Nilson Nelson, ao lado do novo Mané Garrincha. Como mostrado na reportagem Em Brasília, abandono em centro esportivo contrasta com luxo do Estádio Nacional, a arena é uma das poucas em bom estado no Complexo Esportivo Ayrton Senna. Até outubro, o Governo do Distrito Federal promete reformar banheiros, janelas e o teto do Nilson Nelson.

Universidade sem medalha

Brasília chegou a ser candidata a sede dos Jogos Universitários, a Universíade, de 2017. Porém, a capital perdeu a eleição para Taipei, em Taiwan, que ocorreu em 2011. O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), foi a Bruxelas acompanhar as votações, que terminaram em 13 a 9 para a capital taiwanesa. Seria a segunda vez que o Brasil recebe a Universíade: a primeira foi em 1963 em Porto Alegre.

Apesar da candidatura, o Governo do Distrito Federal jamais apresentou um plano concreto de obras para receber o evento. Na próxima edição, que começa na sexta-feira, 6, na cidade russa de Kazan, participarão 10.442 atletas de 162 países.

Na Universidade de Brasília (UnB), de responsabilidade federal, o atleta encontra estruturas precárias. Ginásio poliesportivo pequeno, piscinas em reforma, campos de futebol de grama mal cortada e pistas de atletismo deterioradas dão cara de abandono ao centro olímpico da instituição.

 

Pista de atletismo da UnB não tem condições de uso (Lucas Vidigal/Seleção Universitária)

“Essa pista de atletismo não tem condições de uso alguma”, diz Ian Caetano, personal trainer. Tiago Nunes, aluno de Ian, só não reclama do estado das instalações porque treina para correr maratonas. “Preciso me acostumar a correr em terrenos irregulares, mas a situação do centro olímpico é precária”, diz.

O estudante Lucas Alves pratica judô na UnB. Ele reclama da falta de ação do governo para reformar as instalações esportivas do local. “Quando eles resolvem arrumar os equipamentos, dá certo. As novas tabelas de basquete ficaram muito boas. Então, por que não há esforço para renovar todo o centro olímpico?”

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