Catador de latas ganha ingresso para Copa em Salvador
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Catador de latas ganha ingresso para Copa em Salvador

Turistas com ingressos sobrando vendiam as entradas próximos ao estádio

Seleção Universitária

20 de junho de 2014 | 16h05

Turistas com ingressos sobrando vendiam as entradas no entorno do estádio

Wellington trabalhava na frente do estádio quando ganhou um ingresso (Luiz Fernando Teixeira/Seleção Universitária)

 

Luiz Fernando Teixeira – especial para O Estado de S. Paulo

SALVADOR – O catador de latas Wellington – que não quis dizer seu sobrenome – trabalhava na frente da Arena Fonte Nova quando uma senhora francesa se aproximou dele para lhe oferecer um ingresso para a partida entre França e Suíça, que acontece nesta sexta-feira, 20.

“Eu não quero entrar, não tenho nada para fazer lá dentro”, afirmou o catador, que tentava vender o ingresso por R$ 100. Segundo Wellington, para ele é mais vantajoso continuar catando latas no entorno do que entrar para assistir ao jogo.

Entorno. Após duas partidas da Copa do Mundo em Salvador, a Polícia Militar começou a controlar o acesso de pessoas à Arena Fonte Nova. Apenas pessoas com ingressos para a partida entre França e Suíça ou que estavam credenciadas podiam se aproximar do estádio.

A medida coibiu os cambistas, que se posicionaram em pontos mais distantes do que nos jogos anteriores, como o Pelourinho. Quem vendia as entradas abertamente e próximos à Arena Fonte Nova eram os turistas que tinham ingressos sobrando. O preço dos estrangeiros era mais barato do que os brasileiros. Suíços, franceses e americanos vendiam entradas por cerca de R$ 300. Em geral, cambitas cobram R$ 1 mil por ingresso.

“Estou vendendo porque dois amigos não puderam vir”, disse o norte americano Keith Smith. O mesmo argumento foi usado pelo suíço Georges Lars, que já havia vendido três dos quatro ingressos extras que tinha em mãos. “Estou vendendo mais barato do que eles pagaram”, afirmou Georges.

Festa. Franceses e suíços animaram os moradores do entorno da arena com suas canções para apoiar as suas seleções, mas também por tentarem se arriscar em músicas locais. Era possível ver turistas tentando cantar músicas como “Aquarela do Brasil” e “Lepo Lepo” – hit do último carnaval baiano – em meio aos cantos de “allez le bleu”, dos franceses, e “switzerland”, dos suíços. “Eles são muito engraçados”, afirmou a baiana de acarajé Maria do Carmo. Ela elegeu os turistas de hoje como os mais bem humorados até agora.

 

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