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Comerciantes de Itaquera divergem sobre impactos da Copa

Seleção Universitária

23 de maio de 2014 | 14h59

Evento é visto como oportunidade para uns e como motivo de preocupação e transtorno para outros

 

Pedro Hallack – especial para o Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – A três semanas do início da Copa do Mundo na Arena Corinthians, donos e funcionários do comércio localizado nas proximidades do estádio ainda não sabem exatamente o que esperar dos impactos que o evento trará para a região.

Se, de um lado, alguns veem aspectos positivos, como o aumento no fluxo de torcedores que a Arena pode trazer durante e após a Copa, outros analisam com mais desconfiança as mudanças, temendo, principalmente, os efeitos desencadeados pelo aumento nos preços dos aluguéis. Há ainda os que dizem não sentir nenhuma diferença no dia a dia, mesmo com as inúmeras mudanças através das quais Itaquera tem passado.

Dono de um bar próximo à estação de metrô Artur Alvim, José Oliveira, de 39 anos, é um exemplo dos que veem vantagens com a chegada da Copa. “A atenção está toda voltada para a zona leste agora. Apesar de muita gente criticar, acho que o evento trará muitos benefícios para a região, que sempre foi muito criticada pela violência e por outras mazelas”, afirmou o comerciante. “Em relação a outras questões, como saúde e educação, creio que as autoridades deveriam dar a mesma atenção que estão dando à Copa.”

Perto dali, Givaldo Araújo, 36, dono de uma lanchonete, é um dos que não sentiram alteração no local. “Até agora a situação [do estabelecimento] não mudou em nada. Se mudar, será na abertura da Copa, porque até o momento continua igual”, disse.

Segundo ele, a realização do primeiro jogo oficial da Arena Corinthians no último domingo, 18, entre o time do Parque São Jorge e o Figueirense – que registrou público pagante de 36.123 torcedores – não afetou significativamente seus rendimentos. “Domingo eu vi apenas um fluxo maior de gente circulando, mas, para os negócios, não houve nenhuma diferença”, afirmou.

Preocupação. Para quem vê mais pontos negativos do que positivos em relação à Copa, há críticas de todos os tipos. Enquanto a dona de loja Elaine Campos, 26, teme que atos de vandalismo prejudiquem o comércio local, Oziel Paulino, 29, funcionário de um bar na região, conta que recentemente as vendas caíram em pelo menos 40%. “A coisa está bem devagar por aqui. Os aluguéis aumentaram e o movimento caiu, tanto que muita gente já fechou estabelecimento aqui no bairro por não aguentar pagar as contas. Pode até ser que venha algo de bom no futuro, mas, até agora, não chegou nada de positivo”, disse Oziel.

Dono de uma imobiliária na região, Rogério Castro também reforça o coro dos preços abusivos de imóveis. “Apesar do mercado estar aquecido e a procura ter aumentado, os preços estão extremamente altos para a região. Um apartamento em Itaquera está valendo quase R$ 200 mil, enquanto um apartamento no Tatuapé, dependendo de localização, pode ser comprado por R$ 380 mil com o mesmo tamanho, mas com outra infraestrutura e mais bem localizado”, afirmou.

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