Copa não empolga moradores do entorno da Arena Fonte Nova
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Copa não empolga moradores do entorno da Arena Fonte Nova

Seleção Universitária

21 de maio de 2014 | 19h07

Falta de infraestrutura e receio de protestos são alvo de críticas

Entorno da Arena Fonte Nova, em Salvador (Luiz Fernando Teixeira/Seleção Universitária)

 

Luiz Fernando Teixeira – especial para o Estado de S. Paulo

SALVADOR – A realização de jogos da Copa do Mundo em Salvador não parece ter entusiasmado os moradores da região da Arena Fonte Nova, no centro da capital baiana. Eles reclamam das promessas não cumpridas de melhorias para a área, além dos transtornos causados pelas obras e do receio de acabarem ficando na rota de possíveis manifestações contra a realização das partidas.

O comerciante Leandro Proença, 57, tem um restaurante a apenas 600 metros do estádio, e investiu R$ 350 mil para construir quatro apartamentos e um salão de festas para alugar para turistas. Mas ele não está tão feliz quanto gostaria. “Investi achando que fosse ter algo decente aqui. Espero fechar um pacote e alugar por R$ 120 mil, mas ainda saio no prejuízo”, disse.

Proença alega que a população do entorno não obteve melhorias com a construção da Arena. “Acho que o estádio é um desvio de dinheiro. Antes tinha a piscina olímpica e o Ginásio do Balbininho para usarmos, hoje não tem nada”, afirmou. Tanto a piscina olímpica quanto o ginásio (que tinha capacidade para cerca de sete mil pessoas e sediava lutas de boxe e outros esportes) faziam parte da estrutura da antiga Fonte Nova e foram implodidos junto com o estádio em 2010.

O comerciante também lembrou da promessa de que seriam construídos um shopping center, um hotel e uma torre empresarial no entorno da Arena. “Fizeram só esse muro aí”, queixou-se, dizendo que viajaria durante a Copa se pudesse.

Credenciamento. A bancária Ysla Santos, 20, mora na Ladeira do Pepino, a menos de 500 metros da Fonte Nova, e também se queixa. “O que incomoda mais é o trânsito que está muito congestionado, por conta das obras. Acho que depois vai melhorar, mas Salvador em si já andava engarrafada antes disso”, afirma. Ysla também pensa em viajar durante o evento. “Teve muita confusão no ano passado, na Copa das Confederações. Eu mesma nem saí de casa.”

O Escritório Municipal da Copa do Mundo em Salvador (Ecopa) disponibilizou todas as informações sobre o cadastramento de moradores para o Mundial deste ano no site, e veiculou uma campanha de conscientização.

Oportunidade. O estudante Eduardo Assunção, outro vizinho da Arena, não recebeu nenhum tipo de comunicado sobre o cadastramento. “Em 2013 eu não fiz nada. Só em um dia que disseram sobre a cobrança de
comprovante de residência para que as pessoas pudessem passar, mas não observei se isso foi de fato feito”, disse.

Eduardo é outro que pretende aproveitar a Copa para sair de Salvador. “Tenho uma amiga que mora em Rosário, na Argentina, e me convidou. Como encontrei passagens em promoção no período da copa, vou aproveitar esse feriadão lá”, afirmou.

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