Em Brasília, abandono em centro esportivo contrasta com luxo do Estádio Nacional
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Em Brasília, abandono em centro esportivo contrasta com luxo do Estádio Nacional

Lucas Vidigal

25 de junho de 2013 | 09h55

Complexo Esportivo Ayrton Senna tem problemas sérios na estrutura; reforma só ficará pronta depois da Copa do Mundo

 

Quadras e ginásios próximos ao Estádio Nacional necessitam de reformas (Lucas Vidigal/Seleção Universitária)

Lucas Vidigal – Seleção Universitária – especial para o Estado

BRASÍLIA – Dentro do Estádio Nacional Mané Garrincha, cadeiras confortáveis, iluminação impecável e estrutura nova em folha. No centro esportivo ao redor da arena, instalações velhas, abandonadas e com pouca segurança.

O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Distrito Federal (Crea-DF), Flavio Correia, visitou o Complexo Esportivo Ayrton Senna a convite da Seleção Universitária e analisou as principais falhas estruturais de ginásios e quadras no local.

As 19 quadras poliesportivas foram as primeiras a serem analisadas. Tênis, futsal, handebol, vôlei e basquete são esportes que podem – ou poderiam – ser praticados nas instalações. Tabelas quebradas ou inexistentes, pedaços de alambrado acumulados e piso deteriorado afastam esportistas.

“As quadras de futsal e handebol precisariam de um novo acabamento até por questões estéticas”, comenta Correia. Segundo ele, as instalações de basquete são as mais problemáticas, pois oferecem riscos reais aos praticantes. “É preciso ver se as tabelas estão firmes porque podem ferir e até matar alguém se caírem”, alerta.

Em área bem arborizada, não há calçada entre as quadras. O gramado tem armadilhas que podem ferir pedestres menos atentos. “Alguém pode cair ou torcer o pé em bueiros abertos ou mal tampados”, afirma.

Outro risco é o excesso de lixo nas áreas verdes. Pias e garrafas jogadas próximo às quadras arriscam a saúde de quem passa pelo complexo esportivo. “São focos de mosquito da dengue, não podem ficar expostos assim”, explica.

Correia também critica a falta de acessibilidade no complexo esportivo. “O cadeirante que quiser praticar algum esporte nessas quadras vai precisar passar sobre o mato até chegar a elas.”

Contraste entre ginásios

Além das quadras, o Complexo Esportivo Ayrton Senna conta com um parque aquático e dois ginásios: o Nilson Nelson e o Cláudio Coutinho. A diferença no estado de conservação das arenas é gritante.

Há 12 anos fechado, o Ginásio Cláudio Coutinho tem marcas do abandono na própria fachada. Tapumes de madeira substituem portões. Paredes pichadas, rachaduras e infiltrações dão aspecto de ruínas à arena. “Dá para ver que a impermeabilização da estrutura está vencida há algum tempo”, afirma Correia.

O lixo toma conta da área ao redor do Ginásio Cláudio Coutinho. A área que deveria servir de espelho d’água se tornou estacionamento de motocicletas. “Não é um local tão apropriado para isso. O motociclista precisa subir em uma pequena rampa para poder estacionar”, comenta Correia.

Em melhor estado, o parque aquático recebe aproximadamente 2,2 mil alunos que praticam natação nas aulas oferecidas pelo governo do Distrito Federal. A piscina semiolímpica e as plataformas para saltos ornamentais estão em pleno uso. Correia elogia a conservação do local: “aqui a gente vê que instalações com boa manutenção dão retorno à comunidade.”

Outra arena em estado razoável de conservação é o Ginásio Nilson Nelson, com capacidade para 11.015 pessoas. Após reforma concluída em 2008 para sediar jogos da Copa do Mundo de Futsal, a instalação recebeu cadeiras em todos os lugares.

Porém, dá para ver sinais de depredação em um rápido passeio pelo ginásio. Lâmpadas fora do lugar, torneiras com vazamento e cadeiras em mau estado de conservação mostram que o local necessita de reformas.

De acordo com a Secretaria de Esporte do Distrito Federal, o ginásio Nilson Nelson será reformado até novembro, quando ocorrem em Brasília os Jogos Mundiais Escolares – a Gymnasiade. Até lá, a arena ainda vai receber dois jogos da seleção brasileira masculina de vôlei contra a Bulgária na Liga Mundial de Vôlei, nos dias 5 e 6 de julho.

Revitalização das arenas só depois de 2014

O turista que vier a Brasília na Copa do Mundo de 2014 ainda vai encontrar as instalações e o entorno do Estádio Nacional em mau estado de conservação. De acordo com a Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa-DF), o Ginásio Cláudio Coutinho e as quadras terão as reformas iniciadas só depois do torneio.

O projeto ainda está em fase de licitação e vai custar R$ 305 milhões aos cofres do GDF. De acordo com a Secopa, apenas a parte de urbanização do Complexo Esportivo Ayrton Senna estará pronto antes da Copa do Mundo. O governo promete entregar ciclovias, calçadas e bancos antes de junho de 2014.

Para Correia, a revitalização do complexo esportivo deveria ocorrer sem demora, antes da Copa do Mundo. “A área deveria receber melhor cuidado, já que é o cartão de visitas do lado de fora do estádio para o turista que vier no ano que vem.”

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