Em Salvador, Brasil contou com energia do Pelourinho
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Em Salvador, Brasil contou com energia do Pelourinho

Vitor Vill

27 de junho de 2013 | 08h38

Sem contar com o tradicional palco e a apresentação do Olodum, público baiano encontra outras formas de assistir ao jogo

 

Público assistiu jogo de um telão diferente (Vitor Villar/Seleção Universitária)

Vitor Villar – Seleção Universitária – especial para o Estado

SALVADOR – O São João acabou frustrando os planos dos torcedores que queriam acompanhar o jogo entre Brasil e Uruguai pelas semifinais da Copa das Confederações, no já tradicional palco montado no Largo do Pelourinho. Acostumados com o telão e o show do Olodum antes e depois das partidas da seleção, o público que compareceu ao bairro histórico nesta quarta-feira, 26, teve que improvisar para assistir à vitória da equipe verde e amarela.

Após vários dias consecutivos de festa no local, a programação da festa junina no Pelourinho não contava com atividades para esta quarta-feira no largo e nem nos demais palcos montados em todo o bairro, incluindo aí a exibição do jogo da seleção brasileira. Porém, muita gente não sabia disso, e acabou se surpreendendo quando encontrou o telão desligado e o espaço vazio.

Os namorados Carlos Antônio Lopes e Viviane Trindade não esconderam a frustração do passeio. “Viemos só para isso, seria a primeira vez que a gente acompanharia um jogo aqui no Pelourinho”, lamentou Carlos. Mesmo sentimento de Roque Teixeira e Eliane Jesus. “Estou um pouco decepcionado, se tivesse pelo menos o Olodum tocando já valeria a pena”, disse Roque. O paulista Charles Lopes vai ficar sem essa lembrança da sua viagem de férias à Salvador. “Vim passear no Pelourinho e ia aproveitar para assistir o jogo aqui, é uma pena”, contou.

Sem o palco e a apresentação do grupo afro, o público se dividiu entre vários pontos do Pelourinho. Quem tem estabelecimento no local tratou logo de colocar uma televisão na calçada e juntar algumas mesas para atrair as pessoas. Boa parte preferiu a também tradicional Cantina da Lua, restaurante de propriedade do carismático Clarindo da Silva, de 71 anos, uma das figuras mais conhecidas do bairro.

Quem queria ver o jogo em alta definição acabou optando pelos dois telões do palco montado para o São João na Praça Terreiro de Jesus, único do Pelourinho que teria atrações na noite desta quarta-feira. Apesar das condições de visibilidade ruins e da chuva que caía em Salvador, a maioria das pessoas acabaram se aglomerando por lá.

 

Banda Didá animou o público no Pelô (Vitor Villar/Seleção Universitária)

Se não teve o show do Olodum durante o jogo, o Pelourinho também não ficou em silêncio: a Banda Didá, tradicional grupo afro baiano, formado só por mulheres, saiu mais uma vez às ruas e tocou suas músicas antes, no intervalo e depois da partida, com direito até à execução do Hino Nacional na televisão acompanhado pelos tambores. “A gente sempre se apresenta nos dias de jogos, já virou tradição”, explica uma das vocalistas do grupo, Sandra dos Santos.

A torcida baiana – não importava em que ponto do bairro – não estava tão animada assim. Com o jogo nervoso na tela, as pessoas permaneciam quase em silêncio, com poucos momentos de euforia. O primeiro deles aconteceu com a defesa de Júlio César no pênalti cobrado por Forlán. O gol de Fred deu confiança ao público, que comemorou durante todo o intervalo. Cavani, logo no começo do segundo tempo, porém, tratou de devolver à torcida o estado de apreensão total.

 

Seu Clarindo animou a torcida no Cantina da Lua (Vitor Villar/Seleção Universitária)

E a quem sobrou a tarefa de chamar o gol decisivo do Brasil, nos minutos finais do jogo? Ao carismático dono da Cantina da Lua, seu Clarindo da Silva. Famoso no Pelourinho por ficar conversando pelo sistema de som com seus clientes e animando a torcida durante os jogos, ele pegou mais uma vez o microfone e começou a gritar “gol do Brasil, gol do Brasil, vamos acreditar!” quando Neymar ainda se posicionava para cobrar o escanteio. Logo em seguida, Paulinho consolidou o desejo do simpático senhor, que foi perseguido e abraço por vários dos presentes no restaurante.

“Eu martelei desde cedo que o placar seria 2 a 1, que o Brasil ia sair na frente e ia desempatar depois”, disse ele. “Quando a galera aqui ficou calada eu peguei logo e o microfone e fiquei chamando o gol. Não é que deu certo?”, comemorou Clarindo.

E o Olodum?

Para quem ficou se perguntando sobre o paradeiro do Olodum – que já virou uma espécie de amuleto do Brasil nos jogos mais importantes -, o grupo garante que não abandonou a seleção brasileira na Copa das Confederações. “O show de hoje [quarta] não fazia parte da programação do Pelourinho. Pena que muita gente não ficou sabendo disso”, conta a produtora cultural do Olodum, Rita Castro.

 

Olodum reuniu membros para torcer pelo Brasil (Vitor Villar/Seleção Universitária)

Porém, se o Olodum não pôde levar seus tambores para o Largo do Pelourinho, o grupo também não deixou de enviar suas energias positivas para a equipe de Felipão. Vários artistas, sócios e membros do bloco-afro se reuniram no prédio sede para assistirem juntos à partida.

Assim como a torcida do lado de fora, os integrantes do bloco sofreram com o jogo nervoso, mas no final comemoraram bastante. Mateus Vidal, cantor da banda, garante que no domingo, 30, data da grande final, o Olodum estará nas ruas para enviar as tradicionais ondas positivas à seleção brasileira. “Vamos mandar a energia para que o Brasil ganhe da Itália ou da Espanha, porque esse será o nosso grande teste no torneio”, disse o vocalista.

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