Equatoriano faz embaixadas com pedra de seis quilos
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Equatoriano faz embaixadas com pedra de seis quilos

Manuel Loor, 59, veio de Guayaquil para acompanhar Equador na Copa

Seleção Universitária

24 de junho de 2014 | 17h28

Manuel Loor, 59, veio de Guayaquil para acompanhar Equador na Copa

Equatoriano viajou dois meses pelas estradas de Peru, Bolívia e Paraguai até atravessar a fronteira com o Brasil (Lara Monsores/Seleção Universitária)

 

Lara Monsores – especial para O Estado de S. Paulo

RIO DE JANEIRO – Estendida no chão, uma camisa gigante da seleção do Equador abriu espaço entre os passantes na rampa do metrô da estação Maracanã e rapidamente formou-se um pequeno círculo de pessoas em volta da atração. No centro, um senhor, também vestido com as cores da bandeira equatoriana, fazia malabarismos com uma bola de futebol, girando-a na ponta de uma caneta presa entre os dentes do malabarista. Aplausos.

Da maleta surrada saiu, então, o segundo e principal número do artista: uma pedra arredondada, de seis quilos, segundo o próprio. Surpresa e incredulidade nos rostos dos curiosos e sobrancelhas erguidas de espanto quando o craque prendeu a pedra com o pé direito, lançou-a ao alto e aconchegou o objeto na nuca em movimento que se repetiu por mais três vezes sem que a pesada redonda caísse no chão. Aplausos e moedas.

Manuel Loor, malabarista da bola

Manuel Loor é o autor do feito. Ele tem 59 anos e nasceu na cidade de Portoviejo, na província de Manabí, no Equador. Há 36 anos, ganha a vida fazendo malabarismos futebolísticos, o que já lhe rendeu o apelido de “Rey de la Cascarita” (rei das embaixadinhas, em tradução livre) na sua terra natal.

“Inventei todos os números que faço e este com a pedra ainda não vi ninguém fazendo. Só eu”, orgulha-se. A habilidade incomum, segundo ele, é fruto de muito treino e sacrifício. “Já fui parar no hospital quatro vezes por causa desse malabarismo com a pedra”, conta mostrando cicatrizes de cortes na testa e no topo da cabeça. “Não é nada”, garante.

Missão Brasil. Para chegar ao país da Copa, Loor percorreu cerca de 7 mil quilômetros, de Guayaquil até Viamão, no Rio Grande do Sul, onde a seleção do Equador concentrou-se durante a primeira fase do Mundial. Foi uma longa e dura jornada de dois meses pelas estradas de Peru, Bolívia e Paraguai até atravessar a fronteira com o Brasil. O dinheiro não foi suficiente e, para terminar o percurso, precisou pedir carona.

“Já fui a quatro Copas América – Venezuela, Peru, Argentina e Equador – e este é meu primeiro Mundial”, afirma satisfeito o equatoriano. Depois de passar por Curitiba e Brasília, onde o Equador fez seus dois primeiros jogos na Copa, Loor chegou ao Rio de Janeiro no último domingo, 22, seguindo o caminho dos comandados do treinador Reinaldo Rueda, que enfrentam a França nesta quarta-feira, 25, no Maracanã.

O andarilho da bola, no entanto, não tem ingresso para assistir aos jogos. A recompensa, segundo ele, por tamanho sacrifício e dedicação, é mostrar ao mundo seu talento e estar perto da sua tão amada seleção.

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