Falta de estrutura gera confusão e agonia na saída da Arena Pernambuco
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Falta de estrutura gera confusão e agonia na saída da Arena Pernambuco

Pedro Costa

17 de junho de 2013 | 00h47

Torcedores discutiram por lugar no ônibus e polícia não conseguiu conter o tumulto; grade de proteção acabou sendo derrubada

 

Estação Cosme e Damião cheia, antes da partida (Pedro Costa/Seleção Universitária)

Estação Cosme e Damião cheia, antes da partida (Pedro Costa/Seleção Universitária)

 

Felipe Resk e Pedro Costa – Seleção Universitária – especial para o Estado

RECIFE – A festa proporcionada por Espanha e Uruguai na estreia da Arena Pernambuco acabou após o apito do árbitro Yuichi Nishimura. Na saída do estádio, o futebol envolvente da Fúria foi substituído pela aflição. Uma fila muito extensa foi formada pelas pessoas que queriam pegar o ônibus da Arena para a estação de metrô Cosme e Damião, a mais próxima do estádio.

Apesar da demora, os torcedores seguiam esperando entre os cavaletes montados pela organização, aguardando o momento de subir no circular. A revolta começou quando pessoas que passaram por fora da fila e da grade, começaram a subir nos ônibus cujas vagas deveriam ser de quem estava na vez.

Quem estava na fila, sem poder sair, protestou bastante entoando gritos de “volta” – pedindo para a polícia controlasse a situação. Não houve solução e os torcedores partiram para o bate boca. Os mais exaltados trocaram tapas na porta dos ônibus.

A partir deste momento, a polícia perdeu o controle e a grade de proteção foi derrubada. Na briga para entrar no transporte, algumas crianças foram espremidas e a capacidade dos ônibus foi ultrapassada. Já não havia mais controle de quem estava ou não portando a pulseira que dava o direito ao translado da Arena Pernambuco para a estação de metrô Cosme e Damião.

No trajeto, alguns ônibus quebraram e os torcedores não conseguiram sair. Como a porta estava emperrada, o calor era intenso dentro do veículo. Depois de a porta ser finalmente aberta, o trajeto teve que ser completado a pé, pela via onde passavam viaturas dos bombeiros e da polícia.

Após a confusão, vários torcedores disseram que esta foi a primeira e última vez que visitaram a Arena Pernambuco.

“Desse jeito não há condições. Pagamos caro pelo ingresso e não havia estrutura. Tive que socorrer a minha mulher, que estava passando mal, sem ar, dentro do ônibus”, disse um homem que não se identificou à reportagem.

Depois do primeiro jogo oficial, o acesso à Arena Pernambuco, construída em São Lourenço da Mata, a 19 quilômetros do Recife, foi reprovado pela grande maioria do público. Por estar em um local isolado, o estádio não tem áreas de dispersão, o que acarreta na aglomeração das pessoas que invariavelmente necessitam tomar os ônibus especiais, tanto para ir ao Parqtel (estacionamento), quanto para o metrô – principal meio de transporte, a 2,2 quilômetros da Arena.

(Imagens Pedro Costa/Seleção Universitária)

Antes do jogo, tumulto no metrô

Horas antes, a confusão parecia que estava sendo anunciada. Para chegar à Arena Pernambuco, os torcedores que desembarcaram na estação Cosme e Damião ficaram amontoados na plataforma, pois os ônibus que os levariam para o estádio não davam conta do fluxo de pessoas.

Filas no bar e na lanchonete

Não bastassem os preços altos praticados dentro da Arena Pernambuco (R$12, a cerveja premium; R$ 9, a nacional), os torcedores ainda tiveram que enfrentar uma longa fila para a compra dos produtos.

Lanche saiu caro e demorado (Pedro Costa / Seleção Universitária)

Entulho

As obras da Arena Pernambuco começaram no final de 2010. No entanto, mais de 30 meses depois, ainda foi possível encontrar entulhos e restos de material de construção nos arredores do estádio.

Apesar disso, o descaso não atrapalhou a passagem dos que foram assistir à vitória da Espanha sobre o Uruguai, por 2 a 1, na partida inaugural do Recife na Copa das Confederações. Fios, barras de ferro e pedaços de madeira foram alocados para a região lateral do estádio, onde o fluxo de pessoas era menor.

Ainda assim, a presença da metralha sinaliza que o espaço não se encontrava 100% apto a receber o evento, já que põe em risco a integridade do torcedor. Principalmente em caso de tumulto nas imediações, quando o material pode ser utilizado como arma.

Material de obra continua exposto do lado de fora da arena (Felipe Resk / Seleção Universitária)

Sujeira

Um dos principais problemas enfrentados pelos torcedores na parte externa da Arena Pernambuco foi a ausência de lixeiras. “Nem o pessoal da organização soube nos dizer onde jogar o lixo”, comentou Eduardo Brandão, de 29 anos.

O resultado não poderia ser diferente: pilhas de sujeira foram acumuladas na área de acesso ao estádio. As placas de sinalização da entrada acabaram se tornando pontos alternativos de despejo. A situação ficou ainda pior por conta da chuva, que provocou poças d’água e lamaçal nas imediações da Arena.

Lixo acabou acumulado na entrada do estádio (Felipe Resk / Seleção Universitária)

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