Festa para uns, trabalho para outros
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Festa para uns, trabalho para outros

João Lacerda

16 de junho de 2013 | 13h31

Com 70 mil pessoas, evento em Brasília desagrada quem precisou trabalhar durante a madrugada

 

Garis reclamam por ter turno trocado para depois da festa (João Bosco Lacerda/Seleção Universitária)

João Bosco Lacerda – Seleção Universitária – especial para o Estado

BRASÍLIA – Com atrações como o cantor sertanejo Gusttavo Lima e a banda Asa de Águia, além da transmissão da cerimônia de abertura da Copa das Confederações e do jogo entre Brasil e Japão, a festa Brasília Joga Junto atraiu cerca de 70 mil pessoas para a Esplanada dos Ministérios, no centro da cidade.

Depois do evento, no entanto, muitos trabalhadores reclamaram do esforço extenuante que fizeram antes e depois do evento. 

Os garis são os que mais protestaram em relação às condições de trabalho.

Empregados da empresa Sustentare reclamam de ter o turno normal de sábado, das 17h até meia-noite, trocado por conta da festa. Como o evento acabou às 23h, os coletores de lixo tiveram de trabalhar das 22h até as 5h.

De acordo com os empregados, que preferiram não se identificar, aqueles que reclamaram do horário receberam a resposta que, se não queriam trabalhar naquelas condições, deveriam ter estudado mais. 

Para os ambulantes, todo o trabalho não valeu a pena. Muitos acordaram cedo para montar as barracas e se preparar para os torcedores.

“Cheguei às sete da manhã e tive que carregar os produtos na mão por conta do bloqueio aos carros. Só devo sair lá para a uma da manhã de domingo”, reclama Ivanilson Portela. 

A restrição à venda de produtos diminuiu o lucro dos camelôs. Alimentos podiam ser vendidos de acordo com a preferência de cada comerciante, mas as bebidas liberadas eram só as comercializadas pelos patrocinadores da Fifa.

“ A cerveja que a gente podia vender custava R$ 5 e não era a preferida dos brasilienses. Empacou tudo”, explica Portela. 

Quem gostou da festa foi o catador Domingos Silva. Com quatro sacolas cheias de latas metálicas, conversou com a reportagem sem parar de andar.

“Vim para trabalhar com os meus irmãos, que são ambulantes, mas não encontrei a barraca deles. Aproveitei para ganhar algum dinheiro com as latinhas”, disse o catador, que estima ter um lucro de R$ 150 a 200 com o que recolheu.

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