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Fifa é notificada pelo MPT para garantir a saúde de atletas

Seleção Universitária

31 de maio de 2014 | 10h13

Principal preocupação é em relação aos efeitos que o calor pode causar sobre os jogadores

 

Pedro Hallack – especial para o Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – Em reunião na última quinta-feira, 29, foi entregue à Fifa uma notificação recomendatória do Ministério Público do Trabalho, assinada pelo procurador Valdir Pereira da Silva. Além do procurador, o encontro contou com a presença do advogado da Fifa, Giovani Menicucci, e de Carlos Dittrich, advogado da Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf).

O documento lista oito itens que a entidade deve seguir para garantir a integridade física dos atletas em partidas aonde a temperatura ultrapasse os 30ºC. Dos 64 jogos do torneio, 17 terão início entre 13h e 16h nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, as de temperatura média mais elevadas no período de realização da Copa.

Além de recomendar à Fifa que “promova, durante os treinamentos e jogos, a hidratação continuada e individualizada dos atletas”, o MPT recomenda que a realização de jogos seja reconsiderada quando a temperatura – medida pelo Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG) – ultrapassar os 32,3ºC. A notificação também diz que a Fifa deve estabelecer paradas técnicas – uma em cada tempo da partida, antes dos 30 minutos – caso a temperatura medida ultrapasse os 30ºC.

Em entrevista coletiva no dia 15 de fevereiro, o diretor médico da Fifa, Jiri Dvorak, confirmou que a Copa terá paradas técnicas quando necessário, que serão realizadas aos 30 minutos de cada tempo. À época, Dvorak afirmou que a entidade vê sete jogos, que serão disputados a partir das 13h na região Nordeste, como sendo de “alto risco”. Apesar disso, Dvorak afirmou que as decisões relativas às paradas técnicas serão tomadas antes de cada partida.

O procurador do Trabalho responsável pela notificação recomendatória, Valdir Pereira da Silva, afirmou que a ação não visa garantir a integridade física apenas dos atletas. “É natural que a atenção vá para os jogadores, que são os protagonistas do espetáculo, mas há outros profissionais expostos às mesmas condições climáticas, como os árbitros e os gandulas”, disse.

Além de ter sentido a Fifa receptiva às recomendações, o procurador esclareceu que a notificação não se configura apenas em uma carta de recomendações. “A notificação recomendatória trata-se de um instrumento jurídico, aonde o notificado recebe o entendimento jurídico que o MPT tem acerca de determinado tema. Monitoraremos o cumprimento dessas recomendações e, caso detectemos irregularidades, entraremos na Justiça”, concluiu.

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