Filhos da Copa: quando a vida começa em uma partida de futebol
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Filhos da Copa: quando a vida começa em uma partida de futebol

Seleção Universitária

21 de maio de 2014 | 11h39

Brasileiros que nasceram em mundiais contam sua relação com o torneio

Bruna Chagas – especial para o Estado de S. Paulo

MANAUS – Era para ser um dia normal, se 17 de julho de 1994 não fosse a final da Copa do Mundo nos Estados Unidos. O Brasil disputava a partida contra a Itália e a família Lopes da Silva, que mora em Manaus, assistia como milhões de brasileiros ao espetáculo da seleção. No entanto, para Rozangela Lopes da Silva, 50, o primeiro gol do Brasil nos pênaltis bastou para estourar a bolsa e correr para maternidade, com metade da família a tiracolo, ainda caracterizada com blusas, perucas e com as cores do Brasil.

Naquele dia, além do tetra, a família ganhou Mayara dos Anjos. Com mais de 48 cm e quase 4 kg, o bebê já vestia verde e amarelo. Hoje com 19 anos, a jovem estudante de Direito afirma que desde pequena é apaixonada por futebol e que sempre achou a história do seu nascimento especial. “Fico maravilhada em saber que o meu dia foi marcado pelo gol do Brasil. A família é amante de futebol. Nada mais justo eu ter nascido no tetra”, afirma.

No mesmo dia em uma outra maternidade, outro bebê do “tetra” vinha ao mundo. Era Lina Ananda Maia, filha do atleta velocista Robson Maia e de Walcira Maia, que é jornalista. A mãe conta que na época estava muito preocupada, pois o marido, que também era cinegrafista,  cobriria um evento no interior do Amazonas. Além disso, Walcira tinha medo de ter o bebê em dia de jogo, por causa da correria. E foi justamente o que aconteceu. “Lina resolveu nascer no dia da final da Copa”, conta.

Um fato curioso que a mãe lembra com carinho é a respeito da Copa do Mundo em 1998, na qual a família enfeitou Lina como se fosse um amuleto e na final contra a França a pequena com quatro anos acabou dormindo e o Brasil perdeu o jogo. “São coincidências que a gente brinca em casa”, diz Walcira.

As duas meninas do tetra tornaram-se colegas de classe, mas, diferentemente da Mayara, Lina não gosta muito de futebol e tem uma posição firme em relação à realização do evento no Brasil. “Não tenho nada contra a Copa do Mundo. Só acredito que os governantes poderiam valorizar o que realmente importa, como qualidade na educação e saúde”, diz.

Voltando um pouco no tempo, exatamente duas copas antes de 1994. A Copa do Mundo de 1986 no México não traz boas lembranças para os brasileiros, porém, antes da decepção nas quartas de final contra a França e a vitória da Argentina na final, lembremo-nos da estreia do Brasil no dia 12 de junho.

Nesse dia a seleção canarinho venceu.  Distante da realidade da Copa, na capital amazonense, nascia Roberto Omar, o Roberto “Bombinha”, que recebeu o nome e o apelido por conta do jogador favorito dos tios, Roberto Dinamite – presente nas Copas de 1978 e 1982.

 

Roberto recebeu o nome por conta do jogador favorito dos tios (Arquivo pessoal/Divulgação)

 

O Roberto Bombinha de Manaus não joga futebol, mas em compensação é nadador, já competiu e ganhou inúmeras medalhas pelo Rio Negro Clube (AM). “Minha relação com o futebol é zero, embora na Copa do Mundo eu torça bastante, visto a camisa da seleção e tudo. Já a natação é o meu esporte”, conta.

Os filhos da Copa são assim: tem apreço e carinho pela data em que vieram ao mundo e sabem o peso e a importância que isso conta para as suas respectivas famílias, mesmo aqueles que não gostam muito do esporte. Os três concordam que é sempre uma grande responsabilidade carregar uma marca dessa para toda a vida.

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